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Último dia de aula

Ter aulas no mês de dezembro e janeiro é algo que não me entra na cabeça, e espero não ter de refazer nenhum trabalho no mês de fevereiro. Ainda bem que essa metodologia não é aplicada no Brasil, pois não imagino passar os meses mais quentes do ano dentro de um laboratório editando vídeos ou em frente ao computador escrevendo artigos. Se bem que no ano passado passei por uma experiência semelhante a esta quando ficamos editando o clipe da Analuana.

Hoje, se tudo der certo é o nosso último dia de aula, depois de passar várias manhãs, tardes e noites envolvidas com a produção do nosso vídeo sobre a vida dos Erasmus, trabalho da disciplina de Laboratório de Som e Imagem, e que vamos aproveitar para o nosso Projeto Experimental lá no Brasil (trabalho que acompanha o blog e marca o fim do curso). Foram dias de coleta de imagens onde colocamos nossos amigos estrangeiros e brasileiros frente à câmera relatando suas experiências de intercâmbio (altas revelações hehehe).

De momento, o resultado não está ficando de acordo como planejávamos, pois aqui as coisas funcionam diferentes do que estávamos acostumadas na Unijuí. Como já mencionei em posts anteriores a metodologia da Universidade do Porto (UP) ao meu ver torna os alunos muito mais independentes e aplicados, pois aqui (não só no curso de Ciências da Comunicação mas em outros também) temos de fazer tudo sozinhos sem auxílio dos professores, o que nos salva em momentos de apuros são os técnicos do laboratório, mas eles são poucos comparados a quantidade de alunos do curso.

A maioria dos trabalhos são individuais onde os alunos tem de filmar, editar, escrever, etc… Já na Unijuí sempre tínhamos auxílio de alguém, como por exemplo, os trabalhos eram sempre em grupos, o professor explicava os trabalhos além de acompanhar passo a passo o grupo, e sempre tinha os técnicos à disposição para ajudar n o que precisávamos. Aqui eu me sinto sem pai nem mãe, completamente sozinha, sempre insegura. Por uma lado isso é bom, nos torna independente, e lidar com a insegurança faz parte do desafio, no final você pode avaliar o quanto evoluiu, além é claro de observar como a sua área de estudo é aplicada em outro país.

Mesmo sem ter me tornado amiga dos professores e intima dos meus colegas, fatores que tornaram meu semestre não muito agradável, pois mesmo a UP sendo uma das universidades lideres em consórcio de intercâmbio os alunos portugueses não possuem uma mentalidade muito aberta para os Erasmus, por aqui não é como no Brasil que você leva uma pessoa para o bar e se torna amigo (nada aqui é como o Brasil Oo). Mas quando falo nos portugueses que não são “muito receptivos” não significa que eles não são acolhedores, o que você precisa de ajuda eles ajudam, mas não criam laços, é como se fosse cada um no seu quadrado, percebem?

Bem… Por mais saudade que eu sinta da Unijuí, do calor entre as pessoas, da lista de espera para reservar equipamentos e das dificuldades em conseguir um espaço no laboratório de fotografia, vou sentir saudades daqui também, ainda mais de editar vídeos nos macs 29 polegadas, dos materiais onde temos fácil acesso, das refeições na Cantina de Direito e de comprar lanches e cafés em máquinas (nossa!!! Eu achava isso o máximo no início, lembro-me até quantos botõezinhos apertava até conseguir comprar o lanche certo).

No mais… Mesmo tendo experiências não tão agradáveis em sala de aula, não só eu e Ramone mas com certeza todos que pela UP passaram vão sentir falta da metodologia portuguesa de ensino. E para saciar a “melancolia” da saudade, amanhã cedinho vamos viajar para Londres, afinal, depois de tanto trabalho merecemos uma folga 🙂

Por Nay Back – Intercambista UP.

Uma noite de Maximus

Morar na Cedofeita tem suas vantagens, não só por ter comércio, mercado, talho e padarias por perto, mas também por estarmos pertinho de várias discotecas do Porto (inclusive uma em frente de nossa morada). Aqui opções para agradar diversos gostos não faltam, e se você não está gostando de algo, facilmente atravessa a rua e já esta dentro de outro sítio.

Ontem foi mais uma noite que saímos de casa sem destino, bem… Mais ou menos sem destino. Com o mês de fevereiro se aproximando, o intercâmbio vai se encerrando para muitos, uns porque retornam ao seu país de origem e outros porque vão aproveitar o tempo que resta para viajar pela Europa. Então, ontem foi mais uma noite de “festa de despedida”, e claro, Cedofeita Family estava presente na pensão do Carlos e do Estevão e de mais Erasmus.

Infelizmente ou felizmente, não sei definir, não ficamos muito tempo na festa, apenas fomos fazer uma “sociável”. Devido ser uma pensão de estudantes e de ter um guarda vigiando o evento, a festa se concentrou no pátio da residência, algo que não foi muito agradável pelo simples fato da temperatura marcar apenas 4 graus em uma noite de inverno no Porto. Talvez se tivéssemos levado uma bola de basquete para jogar no campo ou improvisado uma fogueira teria sido diferente, no mais as velas que decoravam o ambiente e o vinho ajudou um bocado o clima esquentar.

Em seguida partimos para o Bar 77 pegar um “quadrado” que na verdade se chama “combinado” (é um lanche folhado em forma de quadrado com recheio de fiambre, queijo e carne) e em ritmo de canções de infância fomos pulando e cantando para o Piolho, o famoso bar localizado perto da Reitoria e claro, perto da Cedofeita. Esse lugar só não é movimentado aos domingos, pois é o dia que o bar fecha suas portas para abastecer o estoque. Para quem não sabe e não faz idéia de como é o Piolho, este é um bar bem movimentado, onde a maioria das pessoas vão tomar café após as 18h e a noite cerveja, ao seu lado á outros bares também, afinal a rua é lotada por eles, mas leva o nome de um só, o porque não sei. Uma das coisas que é tradicional é o ditado “quarta-feira é dia de Piolho”, isso significa que neste dia da semana a cerveja é vendida a 1 euro, mas não no bar do Piolho e sim na Adega do João que se localiza mais para o final da rua.

Depois de determinado tempo no Bar do Piolho e de uma discussão de onde ir e não ir, por fim ficou decidido mais uma vez que iríamos ao Armazém do Chá, uma discoteca muito visitada por Erasmus por cobrar 1 euro de entrada e vender bebidas a um preço bem amigável, o problema de ir lá é que nunca se sabe que música esta tocando e as vezes você pode ser surpreendido por algum som do qual não é o seu preferido. Na rua do Armazém do Chá deve ter umas oito discotecas, cada uma com um estilo diferente, e muitas não cobram entrada, o que facilita o acesso. Pensando nessa proposta foi que acabamos mais uma vez entrando na discoteca Maximus para conferir o som, e desta vez não permanecemos apenas por 10 minutos como era o de costume, ficamos lá por muito e muito tempo curtindo som eletrônico, brasileiro e português.

A noite foi bem agradável, a discoteca possui dois andares mas é bem pequenina, e além das bebidas é vendido lanches parecidos com os do Bar 77. Vale destacar que a rua por ser localizada de discotecas é uma rua com prédios comerciais e de residências, inclusive em cima do Maximus há moradas, o que é estranho é que nunca presenciamos reclamações e nem policiais passando de madrugada exigindo silêncio. Não sei como funciona essas coisas aqui na cidade do Porto, só sei que eu acho tudo isso o “máximo”, as ruas sempre cheia de pessoas, você anda sem perigo, vai e volta caminhando das festas, não se preocupa com a compra de ingressos antecipados, e se não gostar do lugar que esta bem próximo sempre há outra opção.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Paris, a cidade da torre mais famosa do mundo

Acho que é normal… E com certeza a maioria das pessoas que não vivem na União Européia sonham um dia conhecer Paris, eu e Ramone pelo menos sonhávamos tanto que jamais iríamos finalizar o intercâmbio sem realizar esta viagem.

Os planos eram passar a virada do ano em frente à Torre Eiffel, mas devido o alto valor das passagens a idéia foi modificada, mas os planos de viagem para Paris permaneceu fixo no cronograma. A procura de passagens acessíveis passei a acessar o site da Ryanair dia e noite até que encontrei passagens de ida e volta para o dia 18 de janeiro por 18 euros. Não pensei duas vezes e efetuei a compra, mas para essa viagem não parti sozinha, junto de mim veio Ramone (minha fiel companheira de aventura) e Ludmila (que fez parte do trio GPS Girls).

Paris é a capital e a mais populosa cidade da França, e está posicionada numa encruzilhada entre os itinerários comerciais terrestres e fluviais no coração duma rica região agrícola que a tornou uma das principais cidades da França ao longo do século X, sendo conhecida como Cidade Luz e capital da arte e do lazer, além de abrigar numerosos monumentos, por seu considerável papel político e econômico, sendo também uma cidade importante na história do mundo. Prova disso são os palácios, igrejas, parques, avenidas e museus que fazem a cidade um símbolo da cultura francesa, que atrai quase trinta milhões de visitantes por ano, ocupando também um lugar preponderante no mundo da moda e do luxo, tanto que no ano de 1991 Paris foi inscrita na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Não posso deixar de concordar, e falar que a cidade é realmente bela, com suas ruas enormes que apresentam um transito extremamente eficiente. É incrível como tudo parece funcionar por lá: semáforos, faixas de segurança, metro, ônibus… Além é claro dos prédios que apresentam a peculiar arquitetura francesa, que mesmo eu não entendendo muito de arquitetura não pude deixar de ficar encantada com a perfeição dos monumentos que são enriquecidos com diversos detalhes de anjos, santos e demônios. E se tivesse uma cor que eu pudesse descrever a cidade, seria bege, pois praticamente todos os monumentos que visitamos possuem esta cor, claro que, acompanhados de detalhes dourados, verdes e cinzas, mas o bege sempre predominando. Isso foi outro fator que me surpreendeu, como tudo parecia estar padronizado.

Mesmo a cidade sendo muito grande, muitos dos pontos turísticos localizam-se próximos um do outro, mas alguns estão mesmo distante, sendo indispensável a utilização do metro. Utilizar o metro por Paris não é nada comparado com São Paulo e demais pólos do Brasil, saliento, é incrível como esse meio de locomoção funciona pela Europa, pois não á fiscal, não existe cobradores, apenas uma máquina onde de forma independente o cidadão compra seu bilhete, e mesmo a França sendo considerada um dos países da União Européia que a população não respeita a cobrança de metro eu apenas presenciei uma infração durante os três dias na cidade. Mas caso um cidadão seja pego utilizando o serviço do metro de forma inadequada, este paga na hora à multa de 40 euros, sem choro, sem desconto (acreditem! Isso realmente acontece). O metro de Paris apresenta inúmeras linhas (isso significa que em minutos você vai a qualquer canto da cidade), no início olhando o mapa o sistema de transporte parecia mais uma teia de aranha do que linhas de metro, mas nada que não se entenda, afinal, a cidade está muito bem preparada para turistas com sinalização e central de informação por todos os lados, inclusive atendentes que falam português.

Para utilização do metro além de efetuar a compra toda vez que for utilizar, você pode comprar um bilhete de 24h com passe ilimitado, este custa 6,10 euros, há também o passe da semana, mas este não sei o valor.

E embora muitos turistas falam que Paris é extremamente cara eu não achei tanto. É claro que se você for sair durante a noite em algum bar ou discoteca sentira o impacto, mas o preço das lembrancinhas não achei nada abusivo, principalmente se você for negociar a compra com os Black People (Africanos que vendem chaveiros e torres por um preço inferior das lojas), e para se alimentar também não. Falando em alimentação, o famoso crep de chocolate de Paris foi uma decepção total, sem contar no relaxado atendimento da atendente que não utilizava luvas nem pá para preparo do crep (isso no Parque de La Concorde, pode ser que em outros sítios seja melhor).

Para visitar os pontos turísticos, nós intercambistas temos a vantagem de estudante da União Européia ter acesso free em quase todos como no Museu do Louvre, Phanteon, Notre Dame… E para subir no topo da Torre Eiffel o valor varia do andar que você quer ir e depende também se você é estudante e da idade que você tem, o valor até o topo é em torno dos 13 euros.

Se você visitar a cidade no período de inverno, prepare-se, pois lá o vento é cruel, principalmente no segundo andar da Torre Eiffel. No mais, todos os lugares estão bem preparados para o inverno.

Entre todos os lugares que visitamos o que não posso deixar de recomendar é o Museu dos Perfumes Fragonard, este não está muito destacado no mapa, mas localiza-se perto da Academie Nationale de Musique. E se você sempre teve curiosidade em conhecer os segredos da produção de perfumes a visita no Museu não pode faltar, sem contar que é gratuita, e o local conta com guia de todos os idiomas (inclusive português), e no final você pode efetuar a compra de perfume puro por um preço direto de fábrica.

Mais uma vez eu digo que Paris é extremamente encantadora, só o fato de andar pelas ruas é uma sensação agradável, observar como o trânsito funciona, a educação do povo Frances e acima de tudo a cultura que possuem, como eles conhecem a história de seu país, como eles ocupam o tempo no metro lendo jornais e livros, como é comum andar na rua comendo baguete, e como as pessoas encontram um meio de sobreviver em cima do turismo da cidade seja vendendo chaveirinhos, tocando gaita ou se vestindo de qualquer coisa para arrecadar moedas.

A Torre Eiffel realmente é linda e ao olhar para sua ponta realmente você tem a sensação de que ela esta balançando (hehehe). É engraçado reparar que um “monte de ferro” é a atração principal de uma cidade, e é incrível estar em frente a um monumento que possui tanta história, que já fez parte de cenários caracterizado em dezenas de filmes que se passam em Paris (ainda bem que não foi demolida), e relembrar da sua história de construção e avaliar o seu grandioso significado atual.

Mas diante de toda beleza teve algumas coisas que me decepcionaram, é claro que visitar os países no verão é bem diferente do inverno, pois o clima tem muita influência sobre os cenários que vemos, como por exemplo, os jardins. Em Paris a maioria das árvores estavam sem folhas e as flores dos jardins encolhidas, tudo bem… Não posso exigir milagres do inverno, mas o que eu gostaria de apontar é que, Paris sendo uma das cidades mais visitadas da União Européia, com todo o dinheiro que o país lucra em cima do turismo poderiam manter as fontes e jardins da cidade em melhores condições mesmo no período de inverno e passarem por chuva, neve e frio. Os jardins localizados perto da Torre Eiffel não permitiram uma foto adequada, com as fontes desligadas e águas sujas, e o jardim de Luxembourg mais estava um lamaçal do que um jardim. Estes foram alguns pequenos detalhes que me desapontaram, além do céu estar extremamente cinza, mas nada que um photoshop não resolva para uma foto (hehehe). Outra coisa que me irritou foi o fato de sempre ter um poste ou uma publicidade estragando o cenário da foto em frente aos pontos turísticos isso prova o quando os franceses investe em publicidade e propaganda, o que me fez pensar, que se nada dos meus planos derem certos, vou aprender francês e vir trabalhar na França (hehehe).

Assim como todas as cidades que visitei até o momento, Paris vai deixar saudade, tanta saudade que o retorno no verão já está nos meus planos, afinal, não quero morrer antes de fazer um piquenique em cada jardim desta cidade.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Criando asas para voar

Em março do ano passado Patrícia Manchine rumou para Amsterdam na Holanda por meio do programa Au Pair, onde ficou meio ano trabalhando de babá cuidando de duas crianças holandesas e aperfeiçoando o inglês. Em setembro novamente arrumou suas malas e veio para a cidade do Porto em Portugal cursar mestrado no curso de História e Patrimônio. Na entrevista, a intercambista nos coloca á par de suas experiências em viver fora de seu berço.

01 – Como tudo começou? Estava para me formar no ano de 2099 e no mês de setembro decidi fazer intercambio, mas mesmo antes das aulas no mestrado iniciarem decidi vir para Europa para conhecer os países e aperfeiçoar o meu inglês. Foi então que comecei a procurar os países que estavam cadastrados no programa Au Pair e quando encontrei a Holanda na lista dos países conveniados, adorei!

02 – Porque a Holanda? Decidiu vir para Holanda pelo estilo de vida, de andarem de bicicleta, de ser um país pequeno, mas ter uma população de mente aberta, por serem receptivos a estrangeiros, e estar bem localizado, para poder viajar bastante.

03 – Como foi à aceitação da parte dos teus pais com o intercambio? A idéia de ir para a Holanda a principio não os agradou, pela simples razão de não concordarem com o fato de eu estar me formando em uma Universidade bem conceituada no Brasil e ir para a Holanda cuidar de duas crianças, eles argumentavam dizendo que eu não estava estudando para ser babá. Mas eu mostrei o lado positivo de estar na Europa, que mesmo trabalhando de babá, eu estaria recebendo um bom salário e não teria gastos com alimentação e aluguel, poderia aperfeiçoar o inglês e poder viajar para muitos lugares com pouco dinheiro. A principio este intercambio seria por um ano, mas eu mudei de idéia quando eu vi a possibilidade de vir para Portugal fazer mestrado, então eu cancelei o contrato com a família.

04 – Como foi o processo burocrático para entrar na Holanda e depois para entrar em Portugal? O tempo de duração para o visto na Holanda demorou em torno de dois meses, foi um processo bem burocrático, mas quem deu entrada no visto e cuidou de todos os documentos foi à família na Holanda, a minha responsabilidade se simplificou em tirar o passaporte e enviar a cópia para eles, se teve complicações eu não fiquei a par da situação.  Dois meses depois, os documentos vieram até São Paulo, então eu tive de ir até lá levando o meu passaporte, certidão de nascimento atualizada e registrada em cartório e uma cópia traduzida para o Holandês. Apenas isso, o que é bem diferente do processo de visto de quando um estudante vem para Portugal ou outro país da Europa. Já quando eu cheguei aqui no Porto, tive de cancelar o visto de residência na Holanda e solicitar um aqui, pois não se pode ter dois vistos na Europa para países diferentes.

05 – Como foi a sua vivencia na Holanda? No início eu não gostei, pois estava morando longe de meus pais, eu morava em outra cidade no tempo em que estudava, tinha toda a minha liberdade, e de repente voltei a morar com uma família que não era a minha, eu me deparei condicionada a rotina de pessoas que eu não conhecia, e isso foi muito estranho. Demorei muito para me adaptar, e quando eu já estava adaptada eu sai para vir pra Portugal.

06 – Porque intercambio em Portugal? Na verdade eu já tinha muita vontade de vir para Portugal, mas para eu sair do Brasil no mês de dezembro, alta temporada para viagens, ou em agosto, eu iria precisar de muito dinheiro para comprar a passagem e pagar a propina da Universidade, então eu vi na oportunidade de ir para a Holanda uma boa solução, pois a parte burocrática foi da família holandesa que ainda me reembolsaram a passagem de ida até o país. O beneficio foi enorme!

07- Porque a cidade do Porto? A vinda para Portugal foi devido a situação que eu estava, era o caminho mais fácil pela questão da língua, pois se eu tivesse interesse em estudar na Espanha, Itália ou até mesmo na Holanda eu teria de fazer um teste de proficiência, possuo um inglês avançado mas não fluente para nível acadêmico.  Outra questão foi o lado financeiro, como eu não tenho passaporte europeu se eu fosse estudar na Holanda eu teria de pagar nove mil euros de propina por ano, sendo que aqui o custo é em torno dos 1300 euros, uma diferença muito alta, e também por Portugal ser um dos países da Europa que possui um custo de vida baixo em relação aos outros.

Analisando o valor da propina aqui na Universidade do Porto, parcelado em 12 vezes o valor fica muito acessível, ao contrario do mestrado no Brasil, onde se paga muito caro, além do difícil processo de seleção que você paga e envolve analise de curriculum, provas, entrevistas…

Escolhi a cidade do Porto por passar no mestrado que eu queria muito “História e Patrimônio” que existe somente em uma Universidade no Brasil. Akém do mais, Porto é uma cidade que tem vida, possui fácil acesso a cidades pertos, pega se o trem e por pouco tempo e euros você viaja até qualquer cidade histórica do país.

08 – Como está sendo estudar fora do Brasil? Na Holanda eu tive um convívio pequeno com as pessoas, No Brasil eu morava em outra cidade mas no mesmo estado de minha família. Conhecia bastante as pessoas e os professores.

O que eu sinto aqui é que os professores são distante dos alunos, como a experiência que eu tive de não ter respostas de e-mail, lá no Brasil eu me sentia em casa, eu tinha acesso a sala dos professores para pedir opiniões acadêmicas, eles eram mais próximos. A universidade não tinha muita estrutura devido à faculdade ser do governo muitas coisas não funcionavam. Já aqui a estrutura é perfeita, a limpeza, os laboratórios, eu só sinto em comparação a Holanda que falta integração entre aluno e professor. Os Portugueses são muito receptivos, mas são reservados a questão da sua turma, aqui e na Holanda eu senti esta frieza, portugueses com portugueses. E no Brasil não somos assim, todos querem ser amigos de todos.

09 – Quais os laços de amizades que fez até o momento? Na Holanda eu fiz muita amizade sólida com brasileiros, amigos com quem falo diariamente e que levarei para o resto de minha vida. Eu estava num país diferente então quando encontrava algum brasileiro eu me identificava, deseja sempre estar perto, eu observo que a partir disso passei a ver o sentido da amizade principalmente pelo fato de querer ajudar as pessoas que estavam na mesma situação que eu.  Falando de minha família holandesa os laços que criei foram com as crianças, pois o casal eram individualistas. Eles deixavam bem claro que eu estava lá para trabalhar, a minha vida era em função deles, e em alguns momentos eles eram bem criteriosos. A relação era como se eles fossem meus pais só que sem o sentimento envolvido, porque os seis meses que eu fiquei ainda não foram o suficiente para criar forte vinculo devido a diferença cultural é muito grande.

10 – Qual é a força da saudade? No Brasil eu sinto saudade da minha família, do verão do clima, pois adoro verão e o jeito brasileiro de ser: simpático, integrador. Na Holanda sinto falta dos ambientes, lá é tudo quentinho, pode ficar de roupa curta em qualquer local fechado, dos transportes públicos tudo muito rápido e limpo, e claro das bicicletas, sinto muita falta, pois fazia tudo de bicicleta: levava as crianças para a escola, ia para as festas e fazia as compras de supermercado…

Mas do que eu sentirei mais saudade de quando eu for embora será da liberdade que eu tenho de viajar pela Europa gastando pouco, das pessoas que conheci, de sair de casa e saber que eu posso fazer amizade com um turco, ou um italiano. De saber que se eu quiser ir para Madrid eu posso gastar menos que a compra de um casaco. De viver bem e gastar pouco.

11 – Como você analisa as experiências que teve até o momento? Dentro de minha bagagem cultural eu vou guardar culturas diferentes: Brasil, Holanda e Portugal. Portugal colonizou o Brasil e estando aqui eu observo muita atitude de português que me lembra tanto o Brasil, algumas coisas são muito parecidas e outras tão diferentes.   Os Holandeses são muito cabeça aberta em termos de sociedade, e para certas coisas neste ponto o Brasil é muito careta.  Chegar a um país onde a droga e a maconha é liberada, as pessoas fumam como se fossem beber água e fazem sexo casual, tudo isso para eles é algo aberto e normal e mesmo com toda essa “liberdade” o povo é muito rigoroso, pagam imposto, mantém as ruas limpas, compram os bilhetes de trem mesmo sem fiscal por perto, as pessoas tem consciência, são muito responsáveis. Algo que no Brasil não acontece.  Portugal tem uma cultura em termos de responsabilidade semelhante à Holanda, um exemplo disso foi quando eu esqueci minha bolsa em um provador de uma loja e quando eu voltei para ver se a encontrava eu recebi a bolsa intacta. Do jeito que alguém encontrou, devolveu. Eu admiro demais isso!

Posso destacar algo que faço muito aqui que é andar a pé, ir para as festas caminhando. Na Holanda eu andava de bicicleta e aqui a pé. Duas experiências diferentes do Brasil. E analisando essas experiências eu percebo como as coisas são simples. Aqui as pessoas têm uma liberdade que no Brasil não se tem, como por exemplo, ir para uma festa caminhando, ou de bicicleta como na Holanda. E ao mesmo tempo você tem laços de amizade no Brasil que aqui não temos.

12 – A dica de Patrícia para estudantes que desejam fazer intercambio: A vida é muito breve e valiosa, então você tem de se descobrir, e você só vai conseguir fazer isso quando sair do seu território seguro, quando estiver longe de casa, da sua cultura, da sua família. Então você vai aprender a sobreviver de maneira própria. Vai conhecer pessoas, trocar idéias e experiências, vai abrir a mente e buscar uma identidade, às vezes você tem certeza da pessoa que é, mas em momentos de apuros e desespero você se descobre outro. É tão bom aprender metodologias novas, viajar e conhecer pessoas, são experiências de vida que ninguém te rouba. É o mudo! Essa cultura de integração, a raça humana é uma só mas é  tão diversificada. Tudo parecia de novela… Aqui eu me sinto muito bem! Deslumbrada…

Por Nay Back – Intercambista UP.

Se faltar calor a gente esquenta…

Mais uma vez os meteorologistas acertam a previsão de tempo do Porto, assim nos “proporcionando” dias de frio e muita chuva. O que para nós já se tornou algo normal, por isso nada disso é desculpa para ficar em casa embernando. Sendo assim… Ontem foi a noite de abrir a sombrinha e ir até a discoteca pagar a prenda da corrida de Kart por mim, Ramone e a Ludi.

Depois de passear pela discoteca segurando um abacaxi junto de Ramone vestindo um lendo na cabeça e Ludi um sutiã por cima da roupa, de dançar passos inventados dos anos 60, fazer um book fotográfico na decoração do Armazém do Chá e fazer tudo o que se possa imaginar, percebi o quanto a vida é simples e o quanto as coisas podem ser fácil se você não se importar com o que as pessoas pensam. Como diz a música “Seja você, mesmo que seja bizarro”.

A dúvida por parte das pessoas em saber por que estávamos “bizarras” era inevitável. Duvidando de tudo o que é certo, essa brincadeira acabou sendo um fator influenciador para novas amizades. É engraçado… O intercâmbio quase finalizando e mesmo assim, quando você pensa que não é possível conhecer mais pessoas é aí que você se surpreende, e se não for possível, a gente tenta.

Por Nay Back  – Intercambista UP.

Inglês, Português ou Grego?

Que língua é essa?

Escrita semelhante, apenas uns Cs ou Ps a mais do lado de alguma consoante e algumas palavras iguais mas com significados diferentes, como por exemplo, pixar, durex e rapariga… Os verbos parecem não estar conjugados no tempo certo e ao escutar os professores falando em sala de aula parece que as palavras não são em português, e sim em inglês, grego ou francês…

A sensação de não compreender a língua portuguesa de Portugal não é só comum entre os brasileiros, mas sim para os estrangeiros que se aventuram a estudar por aqui, há também aqueles que chegam até aqui somente com sua língua de origem ou com o inglês, mesmo assim investem na oportunidade de intercambio.

No início do semestre eu e minha colega espanhola Elizabeth mal conseguíamos nos comunicar, passado um mês das suas aulas de língua portuguesa, hoje ela compreende melhor o que eu falo, mas o mesmo não aconteceu em relação aos portugueses.

Um fato semelhante aconteceu a um tempo atrás. Em Cedofeita Family chegou Verônica, nossaa amiga italiana que bateu na porta com olhar entristecido. Na sua Universidade de origem ela estuda Ciência Arboristica e na U.Porto farmácia, além de estar num curso que não é o mesmo do seu país e mesmo conhecendo as palavras do vocabulário lusófono, apenas com algumas dificuldades de conjugação dos verbos, fora isso, fala muito bem.

Com lágrimas nos olhos relatou da dificuldade em não compreender o que seus professores explicam nas aulas, tanto que no dia seguinte passou a noite estudando mas pouco do conteúdo compreendeu. Para consolá-la falei de que mesmo tendo um vocabulário português em muitas situações, escutar o diálogo de portugueses é incompreensível, não só para mim, mas para outros brasileiros.

Quatro meses já se passaram desde a minha chegada, mas algumas palavras ainda soam estranhas, e outras necessito de explicações para compreendê-las. Pelo jeito expressivo dos portugueses, o linguajar do país me deixa admirada que soa tão delicado em meus ouvidos, como as palavras “bocadinho”, “percebes”, “tais a ver” e “vem comigo cá ter”. E analisando outras palavras em frases completas até me faz criticar o português do Brasil, e julgar inadequada o modo como é o nosso idioma.

Mas as diferenças entre a escrita do português de Portugal e Brasil já estão sendo diminuídas, pois entrou em vigor no ano de 2009 a unificação da língua portuguesa entre os países desta língua a fim de de aproximar as nações.

Para conhecimento da nova ortografía no Brasil e em Portugal acesse  Atica. E para downloads Baixaki.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Por 5 euros…

Nos dias 9 e 10 de dezembro aconteceu nas dependências do prédio da faculdade de Ciências da Comunicação o II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, não podendo perder a oportunidade, Ramone e eu fomos prestigiar as palestras.

Como eu já tinha a experiência de já ter ido a uma conferencia do curso, pensei que as palestras seriam em inglês novamente, mas como o evento era de porte internacional para a nossa alegria teve palestrantes brasileiros. O que nos ajudou, além de compreender perfeitamente a mensagem, sentir-se em casa com a fala dos verbos familiares.

A conferencia tinha como tema: “Modelos de Negócio para o jornalismo na Internet” e “Redes Sociais e Ciberjornalismo”. Tendo como principais conferencistas: Steve Doig (Walter Cronkite Scholl of Journalism & Mass Comunication of Arizona State Universi), Concha Edo (Universidad Complutense de Madrid), Elvira García de Torres (Universidad Caedenal Herrera), Helder Bastos (Universidade do Porto), João Canavilhas (Universidade da Beira Interior) e Marcos Palacios (Universidade Federal da Bahia).

Mesmo com os horários apertados devido a demanda de atividades que se acumularam para esta semana, podemos prestigiar a fala destes importantes conferencistas, e compreender melhor a situação do jornalismo na Web.

O primeiro dia do Congresso de Ciberjornalismo iniciou com Marcos Palacios, professor da Universidade Federal da Bahia, apresentando “O jornalismo participativo e as redes sociais como elementos do modelo de negócios no ciberjornalismo”. Para a abertura, o convidado trouxe uma “apresentação panorâmica com algumas reflexões em torno das duas temáticas determinadas como temas do evento: as redes sociais e os modelos de negócio.”

Na parte da tarde, diversos foram os debates sobre ciberjornalismo, sendo que o final do evento foi marcado com o lançamento do livro “Origens e Evolução do Ciberjornalismo em Portugal” da autoria de Hélder Bastos (meu professor de Imprensa). Com o objetivo de constituir um primeiro contributo para a história do ciberjornalismo em Portugal, o livro divide-se entre vários capítulos, sendo que o principal do livro fala das três fases evolutivas, terminando com um balanço do que se passou nos últimos anos a nível de ciberjornalismo nacional.

No segundo dia, no anfiteatro 2, a  professora de rádio da Universidade do Porto Isabel Reis começou por apresentar ”O áudio nas notícias das ciber-rádios: do hipertexto ao hiperaúdio?”, concluindo que o hiperáudio é inexistente nas rádios portuguesas. Salientou ainda a não utilização de linguagem expressiva sonora por parte das ciber-rádios, bem como a falta de interconexão entre áudios, ou seja, a não existência de hiper-vínculos sonoros, uma vez que os áudios por si só não conduzem a outros. Referiu ainda o fato das ciber-rádios não disponibilizarem ferramentas para o utilizador construir a sua própria narrativa, pelo que não é possível sair da hierarquia oferecida pela rádio.

O painel prosseguiu com a comunicação de Carlos Canelas (ESEG) “O uso do vídeo pelos operadores generalistas televisivos portugueses na disseminação de conteúdos noticiosos através da Web”. O investigador diz que os média ainda estão a passar pelo processo de convergência multimédia, com profundas implicações, o que leva aos órgãos tradicionais a procurarem novas formas de difundir conteúdos noticiosos. Concluiu que os conteúdos televisivos não sofrem alteração quando são transpostos para a web e que o texto, na maioria das vezes, limita-se a descrever a descrever o vídeo. Os meios televisivos ainda não estão a produzir conteúdos exclusivos para a web.

Já no anfiteatro 1, Steve Doig, da Arizona State University, apresentou no 2º dia do II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, uma conferência sobre “Building Web Content with Investigative Reporting”. A sua especialidade é o jornalismo de investigação que usa a análise de dados. O docente considera que o jornalismo de investigação é vital para a democracia, sendo que a mesma necessita deste como “watchdog” do poder.

Em seguida o meu professor de imprensa Hélder Bastos falou sobre o tema “Ciberjornalismo e modelos de negócio em Portugal”, que abordava a evolução dos ciberjornais portugueses nos últimos quinze anos, desde os primeiros anos, com um público mais escasso, às tentativas falhadas de cobrar por conteúdos no início dos anos 00′s.

E o evento se encerrou com a 3ª Edição Prêmios de Ciberjornalismo. O que podemos salientar é que tivemos um acesso a palestrantes de nomes internacionais apresentando assuntos da atualidade do ciberjornalismo, tanto no Brasil como aqui em Portugal, tudo isso ao preço de 5 euros, valor que não se compara ao preço que teríamos de pagar se estivéssemos no Brasil. E mesmo assim, observei que a participação por parte dos alunos em algumas palestras foram baixas, além de que muitos professores (inclusíve os que eu tinha aula) não liberaram suas turmas para prestigiarem o evento.

Para mais informações sobre a conferencia, acesse Blog Ciber.

Por Nay Back – Intercambista UP.