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Último dia de aula

Ter aulas no mês de dezembro e janeiro é algo que não me entra na cabeça, e espero não ter de refazer nenhum trabalho no mês de fevereiro. Ainda bem que essa metodologia não é aplicada no Brasil, pois não imagino passar os meses mais quentes do ano dentro de um laboratório editando vídeos ou em frente ao computador escrevendo artigos. Se bem que no ano passado passei por uma experiência semelhante a esta quando ficamos editando o clipe da Analuana.

Hoje, se tudo der certo é o nosso último dia de aula, depois de passar várias manhãs, tardes e noites envolvidas com a produção do nosso vídeo sobre a vida dos Erasmus, trabalho da disciplina de Laboratório de Som e Imagem, e que vamos aproveitar para o nosso Projeto Experimental lá no Brasil (trabalho que acompanha o blog e marca o fim do curso). Foram dias de coleta de imagens onde colocamos nossos amigos estrangeiros e brasileiros frente à câmera relatando suas experiências de intercâmbio (altas revelações hehehe).

De momento, o resultado não está ficando de acordo como planejávamos, pois aqui as coisas funcionam diferentes do que estávamos acostumadas na Unijuí. Como já mencionei em posts anteriores a metodologia da Universidade do Porto (UP) ao meu ver torna os alunos muito mais independentes e aplicados, pois aqui (não só no curso de Ciências da Comunicação mas em outros também) temos de fazer tudo sozinhos sem auxílio dos professores, o que nos salva em momentos de apuros são os técnicos do laboratório, mas eles são poucos comparados a quantidade de alunos do curso.

A maioria dos trabalhos são individuais onde os alunos tem de filmar, editar, escrever, etc… Já na Unijuí sempre tínhamos auxílio de alguém, como por exemplo, os trabalhos eram sempre em grupos, o professor explicava os trabalhos além de acompanhar passo a passo o grupo, e sempre tinha os técnicos à disposição para ajudar n o que precisávamos. Aqui eu me sinto sem pai nem mãe, completamente sozinha, sempre insegura. Por uma lado isso é bom, nos torna independente, e lidar com a insegurança faz parte do desafio, no final você pode avaliar o quanto evoluiu, além é claro de observar como a sua área de estudo é aplicada em outro país.

Mesmo sem ter me tornado amiga dos professores e intima dos meus colegas, fatores que tornaram meu semestre não muito agradável, pois mesmo a UP sendo uma das universidades lideres em consórcio de intercâmbio os alunos portugueses não possuem uma mentalidade muito aberta para os Erasmus, por aqui não é como no Brasil que você leva uma pessoa para o bar e se torna amigo (nada aqui é como o Brasil Oo). Mas quando falo nos portugueses que não são “muito receptivos” não significa que eles não são acolhedores, o que você precisa de ajuda eles ajudam, mas não criam laços, é como se fosse cada um no seu quadrado, percebem?

Bem… Por mais saudade que eu sinta da Unijuí, do calor entre as pessoas, da lista de espera para reservar equipamentos e das dificuldades em conseguir um espaço no laboratório de fotografia, vou sentir saudades daqui também, ainda mais de editar vídeos nos macs 29 polegadas, dos materiais onde temos fácil acesso, das refeições na Cantina de Direito e de comprar lanches e cafés em máquinas (nossa!!! Eu achava isso o máximo no início, lembro-me até quantos botõezinhos apertava até conseguir comprar o lanche certo).

No mais… Mesmo tendo experiências não tão agradáveis em sala de aula, não só eu e Ramone mas com certeza todos que pela UP passaram vão sentir falta da metodologia portuguesa de ensino. E para saciar a “melancolia” da saudade, amanhã cedinho vamos viajar para Londres, afinal, depois de tanto trabalho merecemos uma folga 🙂

Por Nay Back – Intercambista UP.

Criando asas para voar

Em março do ano passado Patrícia Manchine rumou para Amsterdam na Holanda por meio do programa Au Pair, onde ficou meio ano trabalhando de babá cuidando de duas crianças holandesas e aperfeiçoando o inglês. Em setembro novamente arrumou suas malas e veio para a cidade do Porto em Portugal cursar mestrado no curso de História e Patrimônio. Na entrevista, a intercambista nos coloca á par de suas experiências em viver fora de seu berço.

01 – Como tudo começou? Estava para me formar no ano de 2099 e no mês de setembro decidi fazer intercambio, mas mesmo antes das aulas no mestrado iniciarem decidi vir para Europa para conhecer os países e aperfeiçoar o meu inglês. Foi então que comecei a procurar os países que estavam cadastrados no programa Au Pair e quando encontrei a Holanda na lista dos países conveniados, adorei!

02 – Porque a Holanda? Decidiu vir para Holanda pelo estilo de vida, de andarem de bicicleta, de ser um país pequeno, mas ter uma população de mente aberta, por serem receptivos a estrangeiros, e estar bem localizado, para poder viajar bastante.

03 – Como foi à aceitação da parte dos teus pais com o intercambio? A idéia de ir para a Holanda a principio não os agradou, pela simples razão de não concordarem com o fato de eu estar me formando em uma Universidade bem conceituada no Brasil e ir para a Holanda cuidar de duas crianças, eles argumentavam dizendo que eu não estava estudando para ser babá. Mas eu mostrei o lado positivo de estar na Europa, que mesmo trabalhando de babá, eu estaria recebendo um bom salário e não teria gastos com alimentação e aluguel, poderia aperfeiçoar o inglês e poder viajar para muitos lugares com pouco dinheiro. A principio este intercambio seria por um ano, mas eu mudei de idéia quando eu vi a possibilidade de vir para Portugal fazer mestrado, então eu cancelei o contrato com a família.

04 – Como foi o processo burocrático para entrar na Holanda e depois para entrar em Portugal? O tempo de duração para o visto na Holanda demorou em torno de dois meses, foi um processo bem burocrático, mas quem deu entrada no visto e cuidou de todos os documentos foi à família na Holanda, a minha responsabilidade se simplificou em tirar o passaporte e enviar a cópia para eles, se teve complicações eu não fiquei a par da situação.  Dois meses depois, os documentos vieram até São Paulo, então eu tive de ir até lá levando o meu passaporte, certidão de nascimento atualizada e registrada em cartório e uma cópia traduzida para o Holandês. Apenas isso, o que é bem diferente do processo de visto de quando um estudante vem para Portugal ou outro país da Europa. Já quando eu cheguei aqui no Porto, tive de cancelar o visto de residência na Holanda e solicitar um aqui, pois não se pode ter dois vistos na Europa para países diferentes.

05 – Como foi a sua vivencia na Holanda? No início eu não gostei, pois estava morando longe de meus pais, eu morava em outra cidade no tempo em que estudava, tinha toda a minha liberdade, e de repente voltei a morar com uma família que não era a minha, eu me deparei condicionada a rotina de pessoas que eu não conhecia, e isso foi muito estranho. Demorei muito para me adaptar, e quando eu já estava adaptada eu sai para vir pra Portugal.

06 – Porque intercambio em Portugal? Na verdade eu já tinha muita vontade de vir para Portugal, mas para eu sair do Brasil no mês de dezembro, alta temporada para viagens, ou em agosto, eu iria precisar de muito dinheiro para comprar a passagem e pagar a propina da Universidade, então eu vi na oportunidade de ir para a Holanda uma boa solução, pois a parte burocrática foi da família holandesa que ainda me reembolsaram a passagem de ida até o país. O beneficio foi enorme!

07- Porque a cidade do Porto? A vinda para Portugal foi devido a situação que eu estava, era o caminho mais fácil pela questão da língua, pois se eu tivesse interesse em estudar na Espanha, Itália ou até mesmo na Holanda eu teria de fazer um teste de proficiência, possuo um inglês avançado mas não fluente para nível acadêmico.  Outra questão foi o lado financeiro, como eu não tenho passaporte europeu se eu fosse estudar na Holanda eu teria de pagar nove mil euros de propina por ano, sendo que aqui o custo é em torno dos 1300 euros, uma diferença muito alta, e também por Portugal ser um dos países da Europa que possui um custo de vida baixo em relação aos outros.

Analisando o valor da propina aqui na Universidade do Porto, parcelado em 12 vezes o valor fica muito acessível, ao contrario do mestrado no Brasil, onde se paga muito caro, além do difícil processo de seleção que você paga e envolve analise de curriculum, provas, entrevistas…

Escolhi a cidade do Porto por passar no mestrado que eu queria muito “História e Patrimônio” que existe somente em uma Universidade no Brasil. Akém do mais, Porto é uma cidade que tem vida, possui fácil acesso a cidades pertos, pega se o trem e por pouco tempo e euros você viaja até qualquer cidade histórica do país.

08 – Como está sendo estudar fora do Brasil? Na Holanda eu tive um convívio pequeno com as pessoas, No Brasil eu morava em outra cidade mas no mesmo estado de minha família. Conhecia bastante as pessoas e os professores.

O que eu sinto aqui é que os professores são distante dos alunos, como a experiência que eu tive de não ter respostas de e-mail, lá no Brasil eu me sentia em casa, eu tinha acesso a sala dos professores para pedir opiniões acadêmicas, eles eram mais próximos. A universidade não tinha muita estrutura devido à faculdade ser do governo muitas coisas não funcionavam. Já aqui a estrutura é perfeita, a limpeza, os laboratórios, eu só sinto em comparação a Holanda que falta integração entre aluno e professor. Os Portugueses são muito receptivos, mas são reservados a questão da sua turma, aqui e na Holanda eu senti esta frieza, portugueses com portugueses. E no Brasil não somos assim, todos querem ser amigos de todos.

09 – Quais os laços de amizades que fez até o momento? Na Holanda eu fiz muita amizade sólida com brasileiros, amigos com quem falo diariamente e que levarei para o resto de minha vida. Eu estava num país diferente então quando encontrava algum brasileiro eu me identificava, deseja sempre estar perto, eu observo que a partir disso passei a ver o sentido da amizade principalmente pelo fato de querer ajudar as pessoas que estavam na mesma situação que eu.  Falando de minha família holandesa os laços que criei foram com as crianças, pois o casal eram individualistas. Eles deixavam bem claro que eu estava lá para trabalhar, a minha vida era em função deles, e em alguns momentos eles eram bem criteriosos. A relação era como se eles fossem meus pais só que sem o sentimento envolvido, porque os seis meses que eu fiquei ainda não foram o suficiente para criar forte vinculo devido a diferença cultural é muito grande.

10 – Qual é a força da saudade? No Brasil eu sinto saudade da minha família, do verão do clima, pois adoro verão e o jeito brasileiro de ser: simpático, integrador. Na Holanda sinto falta dos ambientes, lá é tudo quentinho, pode ficar de roupa curta em qualquer local fechado, dos transportes públicos tudo muito rápido e limpo, e claro das bicicletas, sinto muita falta, pois fazia tudo de bicicleta: levava as crianças para a escola, ia para as festas e fazia as compras de supermercado…

Mas do que eu sentirei mais saudade de quando eu for embora será da liberdade que eu tenho de viajar pela Europa gastando pouco, das pessoas que conheci, de sair de casa e saber que eu posso fazer amizade com um turco, ou um italiano. De saber que se eu quiser ir para Madrid eu posso gastar menos que a compra de um casaco. De viver bem e gastar pouco.

11 – Como você analisa as experiências que teve até o momento? Dentro de minha bagagem cultural eu vou guardar culturas diferentes: Brasil, Holanda e Portugal. Portugal colonizou o Brasil e estando aqui eu observo muita atitude de português que me lembra tanto o Brasil, algumas coisas são muito parecidas e outras tão diferentes.   Os Holandeses são muito cabeça aberta em termos de sociedade, e para certas coisas neste ponto o Brasil é muito careta.  Chegar a um país onde a droga e a maconha é liberada, as pessoas fumam como se fossem beber água e fazem sexo casual, tudo isso para eles é algo aberto e normal e mesmo com toda essa “liberdade” o povo é muito rigoroso, pagam imposto, mantém as ruas limpas, compram os bilhetes de trem mesmo sem fiscal por perto, as pessoas tem consciência, são muito responsáveis. Algo que no Brasil não acontece.  Portugal tem uma cultura em termos de responsabilidade semelhante à Holanda, um exemplo disso foi quando eu esqueci minha bolsa em um provador de uma loja e quando eu voltei para ver se a encontrava eu recebi a bolsa intacta. Do jeito que alguém encontrou, devolveu. Eu admiro demais isso!

Posso destacar algo que faço muito aqui que é andar a pé, ir para as festas caminhando. Na Holanda eu andava de bicicleta e aqui a pé. Duas experiências diferentes do Brasil. E analisando essas experiências eu percebo como as coisas são simples. Aqui as pessoas têm uma liberdade que no Brasil não se tem, como por exemplo, ir para uma festa caminhando, ou de bicicleta como na Holanda. E ao mesmo tempo você tem laços de amizade no Brasil que aqui não temos.

12 – A dica de Patrícia para estudantes que desejam fazer intercambio: A vida é muito breve e valiosa, então você tem de se descobrir, e você só vai conseguir fazer isso quando sair do seu território seguro, quando estiver longe de casa, da sua cultura, da sua família. Então você vai aprender a sobreviver de maneira própria. Vai conhecer pessoas, trocar idéias e experiências, vai abrir a mente e buscar uma identidade, às vezes você tem certeza da pessoa que é, mas em momentos de apuros e desespero você se descobre outro. É tão bom aprender metodologias novas, viajar e conhecer pessoas, são experiências de vida que ninguém te rouba. É o mudo! Essa cultura de integração, a raça humana é uma só mas é  tão diversificada. Tudo parecia de novela… Aqui eu me sinto muito bem! Deslumbrada…

Por Nay Back – Intercambista UP.

Inglês, Português ou Grego?

Que língua é essa?

Escrita semelhante, apenas uns Cs ou Ps a mais do lado de alguma consoante e algumas palavras iguais mas com significados diferentes, como por exemplo, pixar, durex e rapariga… Os verbos parecem não estar conjugados no tempo certo e ao escutar os professores falando em sala de aula parece que as palavras não são em português, e sim em inglês, grego ou francês…

A sensação de não compreender a língua portuguesa de Portugal não é só comum entre os brasileiros, mas sim para os estrangeiros que se aventuram a estudar por aqui, há também aqueles que chegam até aqui somente com sua língua de origem ou com o inglês, mesmo assim investem na oportunidade de intercambio.

No início do semestre eu e minha colega espanhola Elizabeth mal conseguíamos nos comunicar, passado um mês das suas aulas de língua portuguesa, hoje ela compreende melhor o que eu falo, mas o mesmo não aconteceu em relação aos portugueses.

Um fato semelhante aconteceu a um tempo atrás. Em Cedofeita Family chegou Verônica, nossaa amiga italiana que bateu na porta com olhar entristecido. Na sua Universidade de origem ela estuda Ciência Arboristica e na U.Porto farmácia, além de estar num curso que não é o mesmo do seu país e mesmo conhecendo as palavras do vocabulário lusófono, apenas com algumas dificuldades de conjugação dos verbos, fora isso, fala muito bem.

Com lágrimas nos olhos relatou da dificuldade em não compreender o que seus professores explicam nas aulas, tanto que no dia seguinte passou a noite estudando mas pouco do conteúdo compreendeu. Para consolá-la falei de que mesmo tendo um vocabulário português em muitas situações, escutar o diálogo de portugueses é incompreensível, não só para mim, mas para outros brasileiros.

Quatro meses já se passaram desde a minha chegada, mas algumas palavras ainda soam estranhas, e outras necessito de explicações para compreendê-las. Pelo jeito expressivo dos portugueses, o linguajar do país me deixa admirada que soa tão delicado em meus ouvidos, como as palavras “bocadinho”, “percebes”, “tais a ver” e “vem comigo cá ter”. E analisando outras palavras em frases completas até me faz criticar o português do Brasil, e julgar inadequada o modo como é o nosso idioma.

Mas as diferenças entre a escrita do português de Portugal e Brasil já estão sendo diminuídas, pois entrou em vigor no ano de 2009 a unificação da língua portuguesa entre os países desta língua a fim de de aproximar as nações.

Para conhecimento da nova ortografía no Brasil e em Portugal acesse  Atica. E para downloads Baixaki.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Por 5 euros…

Nos dias 9 e 10 de dezembro aconteceu nas dependências do prédio da faculdade de Ciências da Comunicação o II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, não podendo perder a oportunidade, Ramone e eu fomos prestigiar as palestras.

Como eu já tinha a experiência de já ter ido a uma conferencia do curso, pensei que as palestras seriam em inglês novamente, mas como o evento era de porte internacional para a nossa alegria teve palestrantes brasileiros. O que nos ajudou, além de compreender perfeitamente a mensagem, sentir-se em casa com a fala dos verbos familiares.

A conferencia tinha como tema: “Modelos de Negócio para o jornalismo na Internet” e “Redes Sociais e Ciberjornalismo”. Tendo como principais conferencistas: Steve Doig (Walter Cronkite Scholl of Journalism & Mass Comunication of Arizona State Universi), Concha Edo (Universidad Complutense de Madrid), Elvira García de Torres (Universidad Caedenal Herrera), Helder Bastos (Universidade do Porto), João Canavilhas (Universidade da Beira Interior) e Marcos Palacios (Universidade Federal da Bahia).

Mesmo com os horários apertados devido a demanda de atividades que se acumularam para esta semana, podemos prestigiar a fala destes importantes conferencistas, e compreender melhor a situação do jornalismo na Web.

O primeiro dia do Congresso de Ciberjornalismo iniciou com Marcos Palacios, professor da Universidade Federal da Bahia, apresentando “O jornalismo participativo e as redes sociais como elementos do modelo de negócios no ciberjornalismo”. Para a abertura, o convidado trouxe uma “apresentação panorâmica com algumas reflexões em torno das duas temáticas determinadas como temas do evento: as redes sociais e os modelos de negócio.”

Na parte da tarde, diversos foram os debates sobre ciberjornalismo, sendo que o final do evento foi marcado com o lançamento do livro “Origens e Evolução do Ciberjornalismo em Portugal” da autoria de Hélder Bastos (meu professor de Imprensa). Com o objetivo de constituir um primeiro contributo para a história do ciberjornalismo em Portugal, o livro divide-se entre vários capítulos, sendo que o principal do livro fala das três fases evolutivas, terminando com um balanço do que se passou nos últimos anos a nível de ciberjornalismo nacional.

No segundo dia, no anfiteatro 2, a  professora de rádio da Universidade do Porto Isabel Reis começou por apresentar ”O áudio nas notícias das ciber-rádios: do hipertexto ao hiperaúdio?”, concluindo que o hiperáudio é inexistente nas rádios portuguesas. Salientou ainda a não utilização de linguagem expressiva sonora por parte das ciber-rádios, bem como a falta de interconexão entre áudios, ou seja, a não existência de hiper-vínculos sonoros, uma vez que os áudios por si só não conduzem a outros. Referiu ainda o fato das ciber-rádios não disponibilizarem ferramentas para o utilizador construir a sua própria narrativa, pelo que não é possível sair da hierarquia oferecida pela rádio.

O painel prosseguiu com a comunicação de Carlos Canelas (ESEG) “O uso do vídeo pelos operadores generalistas televisivos portugueses na disseminação de conteúdos noticiosos através da Web”. O investigador diz que os média ainda estão a passar pelo processo de convergência multimédia, com profundas implicações, o que leva aos órgãos tradicionais a procurarem novas formas de difundir conteúdos noticiosos. Concluiu que os conteúdos televisivos não sofrem alteração quando são transpostos para a web e que o texto, na maioria das vezes, limita-se a descrever a descrever o vídeo. Os meios televisivos ainda não estão a produzir conteúdos exclusivos para a web.

Já no anfiteatro 1, Steve Doig, da Arizona State University, apresentou no 2º dia do II Congresso Internacional de Ciberjornalismo, uma conferência sobre “Building Web Content with Investigative Reporting”. A sua especialidade é o jornalismo de investigação que usa a análise de dados. O docente considera que o jornalismo de investigação é vital para a democracia, sendo que a mesma necessita deste como “watchdog” do poder.

Em seguida o meu professor de imprensa Hélder Bastos falou sobre o tema “Ciberjornalismo e modelos de negócio em Portugal”, que abordava a evolução dos ciberjornais portugueses nos últimos quinze anos, desde os primeiros anos, com um público mais escasso, às tentativas falhadas de cobrar por conteúdos no início dos anos 00′s.

E o evento se encerrou com a 3ª Edição Prêmios de Ciberjornalismo. O que podemos salientar é que tivemos um acesso a palestrantes de nomes internacionais apresentando assuntos da atualidade do ciberjornalismo, tanto no Brasil como aqui em Portugal, tudo isso ao preço de 5 euros, valor que não se compara ao preço que teríamos de pagar se estivéssemos no Brasil. E mesmo assim, observei que a participação por parte dos alunos em algumas palestras foram baixas, além de que muitos professores (inclusíve os que eu tinha aula) não liberaram suas turmas para prestigiarem o evento.

Para mais informações sobre a conferencia, acesse Blog Ciber.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Mestrado na União Européia

Muitos dos estudantes de mobilidade retornaram a Universidade do Porto para cursar mestrado, alguns por meio de bolsa auxílio, Erasmus Mundus e outros porque decidiram aproveitar a metodologia de ensino da Universidade assim transferindo seus estudos para tal, sendo assim, pagam a propina.

Hoje pela tarde fomos até a FLUP (Faculdade de Letras da UP) retirar alguns cartões e coletar informações sobre o mestrado aqui na UP. Segundo a atendente do Serviço de Gestão Acadêmica a primeira etapa de matrícula tem início no mês de julho, sendo assim, o candidato pode efetuar a inscrição on line encaminhando histórico escolar (no caso de estar finalizando o curso, basta informar às matérias que estão em andamento), e se for aceito, no mês de agosto ou início do mês de setembro deve estar na faculdade efetuando a matrícula, pagando a primeira prestação da propina e o seguro escolar no valor de 1,80€. Esta propina é anual, mas pode ser parcelada em quatro vezes sendo paga de três em três meses (agosto, dezembro, março e maio), o valor total é 1250€.

Mas a UP oferece bolsas auxílio, mas isso não torna o aluno isento de propina, apenas oferece uma ajuda de custo “simbólica”. Para se candidatar a esta bolsa o aluno deve contatar o Serviço de Ação Social da UP (app@icicom.up.pt) além disso, por meio deste serviço é possível conseguir alojamentos.

Outro convenio para realizar mestrado, não só na UP, mas sim em qualquer faculdade da União Européia é o Programa Erasmus Mundus, trata-se de um programa lançado em 2004 pela Comissão Européia, que visa restaurar a posição de liderança européia no cenário universitário. A iniciativa prevê a concessão de bolsas para estudantes de todo o mundo frequentarem cursos masters (equivalente ao mestrado) promovidos por consórcios que reúnem 82 universidades européias em 17 diferentes países.

O Erasmus Mundus é um programa de cooperação e mobilidade no domínio do ensino superior que visa melhorar a qualidade do ensino superior europeu e promover o diálogo e a compreensão entre povos e culturas através da cooperação com países terceiros. Além disso, contribui para o desenvolvimento dos recursos humanos e a capacidade de cooperação internacional de instituições de ensino superior em países terceiros através do aumento da mobilidade entre a União Europeia e esses países.

Este programa não torna o aluno isento de propinas, mas em compensação oferece uma ajuda de custo anual no valor de  21000€.

O brasileiro, natural de Ribeirão Preto – SP Lucas Agostinelli Polito se formou em Engenharia de Materiais, por meio de um amigo soube do programa e se candidatou a vaga de mestrado em Reologia do Erasmus Mundos no ano de 2009. Hoje ele esta no segundo ano de mestrado na cidade de Guimarães aqui em Portugal. Acompanhe a entrevista e saiba sobre o Programa Erasmus Mundos.

1 – Como foi o processo de inscrição e seleção no ERASMUS MUNDUS? Enviei meu Curriculum Vitae, duas cartas de recomendação de professores da graduação e certificado de inglês.

2 – Vantagens? A grande vantagem de se obter uma bolsa de estudos é poder realizar os estudos e trabalhos  do mestrado com dedicação total.

3– As mudanças? O convívio com pessoas de diversos lugares,  com culturas diferentes, foi uma grande mudança e está sendo uma muito construtiva.

4 – Em que momento do mestrado se encontra? Estou exatamente no meio do mestrado, terei mais dois meses de aulas em Portugal e em seguida começarei a realizar meus experimentos, em laboratórios na Bélgica e a partir disso, escrever minha dissertação.

5 – Expectativas para o futuro? A  minha expectativa é de começar um doutorado logo após o fim do mestrado, na mesma área, Reologia.

Por Nay Back – Intercambista UP.

O primeiro dia de aula a gente nunca esquece?

8:45h sair correndo de casa para ás 9h estar dentro da sala de aula bem bonita sentadinha esperando o professor chegar, eu até conseguiria chegar a tempo no prédio da Ciência da Comunicação que fica nos fundos do prédio do curso de Direito, mais ou menos 7min aqui de casa, mas…. Pelo caminho encontrei dois Harrys Potters, os quais me questionaram se eu não ia voltar para a praxe, então tive de dizer que não (obvio né!), afinal, como disse a Ramone “Lavar roupa aqui em Portugal custa caro” além disso não temos tempo disponíveis para ficar agachando e rastejando dizendo frases em latim e chamando os veteranos de doutores todos os dias da semana…

Além de dizer que não ia mais participar da praxe tive de fazer um documento dizendo que por livre vontade não iria mais participar dos encontros (como eles levam isso á sério).

Depois disso fui mais de pressa para a sala de aula torcendo para que o professor não me chamasse à atenção por chegar atrasada, mas chegando lá (que vergonha), o professor não estava, quem estavam por lá alem de vários Harrys Potters eram alunos perdidos sem saber do motivo da ausência do professor.

Aproveitei para fazer amizades com as tugas (portuguesas) que gentilmente me convidaram para ir tomar café. As 10h voltamos para saber se teria a aula do 2ª período.

O professor entra na sala, se posiciona bem no meio, eu sentada mais no fundo da sala, um profundo arrependimento, por o professor possui um sotaque de português bem de Portugal e ainda fala bem baixinho. Sofri horrores por não compreender direito, mas no término da aula fui pedir algumas explicações sobre a metodologia.

No intervalo conheci uma brasileira que já esta aqui em Porto mais de três anos, e conversando com ela descobri como funciona para transferir os estudos para a UP depois do término do intercambio. Ela paga 1000 por ano, portanto, se avaliarmos o preço que pagamos na universidade de origem, sai mais em conta estudarmos aqui, ainda mais porque após a licenciatura (graduação) os alunos vão direto para o mestrado, mas os que possuem notas acima de 16 (aqui as notas são de 0 á 20) podem ingressas direto o doutorado.

Para fazer mestrado ou doutorado aqui na UP após concluir a graduação na Universidade de origem eu ainda não sei direito como funciona, assim que tiver estas informações, divulgaremos para que você desperte ainda mais essa vontade de estudar fora do país, conhecer uma nova cultura e permanecer sempre aberto para um mundo de conquistas!

O bom das aulas de hoje é que elas terminam dia 15 de dezembro, ou seja, sem provas (exames), mas por outro lado, no módulo online temos de produzir matérias e reportagens com apoio de imagens, áudios e vídeos produzidas pelo autor, e no módulo imprensa temos de produzir um jornal inteiro de forma individual (pânico!). O professor foi bem gentil em dizer “aqueles que não sabem mexer no Page Maker e no Indesign aprendam! Rápido!” e também que o jornal produzido pode ser geral ou temático (isso me acalmou).

Cada dia aqui no Porto é um dia de descobertas, a todo o momento estamos sendo bombardeados de informações. Hoje foi apenas o primeiro dia de aula, que com certeza, mesmo sendo tranquilo vai marcar para sempre em minha bagagem cultural.  E amanhã de manhã tem a primeira aula de Laboratório de Imagem e Som, vamos ver como vai ser. No mais, nos desejem sorte!

Por Nay Back – Intercambista UP

Recepção

Lembram do post da \”Matrícula\” na FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)?

Sim, não?

Ou não leram???

Bem… No post além de relatar o processo da matrícula na FLUP, comunicamos que hoje, segunda feira, (dia 20 de setembro no RS dia do gaúcho) aqui no Porto teríamos a tão esperada recepção do Curso de Ciência da Comunicação.

Então, ás 9h da manhã, após informações de onde será as nossas aulas, lá estávamos nós, sentadas bem comportadas esperando a tal da professora que viria recepcionar os alunos.

Passada das 9:30h chegou a professora, muito querida, bem estilosa e com um humor magnífico. Falou das turmas, dos horários, da faculdade e das obras do prédio. Eu com minha máquina fui registrar estes momentos para enriquecer o post, para que a leitura ficasse mais atrativa, (como vocês podem observar no post não tem gravuras, leia até o final e saiba porque) mas a “professora” parou as explicações para chamar a minha atenção. Logo em seguida, ela pediu licença, pois iria pegar uns formulários para os alunos preencherem. Não demorou muito, apagaram as luzes e o auditório foi dominado por veteranos segurando colheres de pau, tesoura, velas vermelhas e vestidos com o traje acadêmico, aqui no Porto eles foram batizados por nós (brasileiros) como Harry Potter, mas muitos os chamam também de morcegos (hehehe).

No mais, não podemos dar muitas informações sobre o que aconteceu conosco, pois segundo a cultura do Porto o Praxe (trote) é algo secreto de cada curso, o contrário do Brasil, onde a maioria das pessoas expõem nas redes sociais as fotos e vídeos do trote.

Mas como vocês foram cair nessas meninas?

Então… Já leram o post \”Matrícula\” ? Ta esperando o que para ler?

Neste post relatamos o processo da matrícula na FLUP, e também que ficamos 1h na fila errada, quando estávamos nesta fila, vieram acadêmicas do Curso de Ciência da Comunicação nos convidar para a “recepção”, como permanecíamos na fila de matricula da UP, nem nós e nem elas se ligaram que somos ERASMUS (intercambistas) e que portanto, já passamos por “recepções” na universidade de origem.

Após decorar as falas dos calouros e de ficar com a roupa toda suja, além é claro de escutar piadas e confraternizamos com os calouros no almoço, fomos então dispensadas das atividades do Praxe na parte da tarde.

Na oportunidade, tiramos algumas dúvidas sobre as matérias que vamos cursar, e descobrimos que o traje acadêmico pode ser usado por qualquer aluno da UP que esteja no 2ª ano da faculdade (ou seja, nós também podemos usar), pois durante o 1ª ano os calouros passam por esse processo de integração da Praxe, ou seja, é como se todo dia eles passassem por uma espécie de “trote”. Como será os próximos praxes não sabemos, porque segundo as veteranas, o que acontece é sigiloso, prova disso é que tive que deletar as fotos que tirei na “recepção” da “professora”, que na verdade não era a professora e sim uma aluna fazendo um teatrinho para pegar os calouros.

CULTURA PORTUGUESA

Falando das fotos que tive que deletar, um ponto a destacar da cultura portuguesa. Aqui se você tirar foto ou filmar uma pessoa e publicar isso sem a autorização da mesma, esta pode lhe processar, o povo português é acolhedor e prestativo, mas é bem reservado. Por isso, quando você vier aqui para Portugal, tome cuidado para não fotografar pessoas sem permissão, ok!

Por Nay Back – Intercambista UP.