Arquivo da categoria: Portugal

Feliz Nova Entrada em 2011!

De tão rápido que chegou o dia 31 de dezembro ele já passou e nem postamos nada a respeito de como foi à virada de ano aqui pela Europa… Lamentamos! Pois tivemos vários dias ausentes devido à viagem para Madrid e também porque a nossa internet saiu fora de ar, o que de fato aconteceu não sabemos, mas a Carol providenciou outro provedor Thomson (considerada a internet mais veloz de Portugal) da empresa Net Sapo, por um preço muito amigável sem custo de roteador e que ainda veio com um pacote de TV a cabo e um telefone o qual nos da direito de ligar gratuitamente para fixos de Portugal e mais 18 países da União Européia, além de poder ligar para fixos e celulares dos EUA, mas nada de tarifas gratuitas para o Brasil…

Então… Após chegarmos ao Porto no dia 28 de dezembro, fomos a um café jantar e claro acessar a internet para saber das novidades da cidade e ver quem dos Erasmus iria a festa em Matosinhos do prédio transparente em frente ao mar que teria bar aberto a noite toda, para a nossa decepção, não encontramos nenhum amigo Erasmus que ia nessa festa, pois os ingressos acabaram-se antes da data prevista de compra antecipada. Sendo assim, o que nos restou era acompanhar os fogos em Aliados (Câmara do Porto, que fica na Avenida dos Aliados bem perto da Ribeira) e seguir o lema “Depois… Só Deus sabe”…

Dia 30 foi a compra da roupa nova, não sei por que, mas em virada de ano sempre gosto de vestir roupa nova e qualquer cor que não seja preto. Já na tarde do dia 31 Ramone e eu fomos às compras para a nossa janta. Desde que estou aqui nunca havia encontrado a lentilha na sessão de feijões e grãos de bico, então resolvi perguntar a atendente do Pingo Doce, segundo ela a lentilha é conhecida pelos grãozinhos que são colocados no bolso para dar sorte, e estava localizada na prateleira dos integrais. Lentilha, carne de porco, chouriço, bacon, batata, milho, ervilha, espumantes, frutas e doces marcaram presença dentro do carrinho do mercado. Pela noite comecei os preparativos, afinal, era a primeira virada de ano na Europa e minha primeira lentilha feita por mim sem a ajuda de ninguém, nem mesmo do Google, pois a internet só funcionava o Orkut, sabe se lá o porquê disso…

Nossa família estava dividida para este momento, em casa somente Ramone e eu. Me deu uma forte nostalgia me lembrando de como essa idéia de intercambio começou… Em gramado, numa pizzaria, comemorando os Galgos de Ouro que a Unijuí levava para casa, nós que nunca tivemos muita intimidade bastou uma palavra “Intercâmbio” para eu notar quantas coisas em comum tínhamos.

Nostalgia no próximo post….

Mas não passamos somente nós duas aqui em casa não…  Para as 9h estava marcada a chegada de mais amigas brasileiras, que afinal, acabaram chegando as 11h da noite, o que deu tempo somente para comer a lentilha e sair porta afora correndo de salto 15 para os Aliados, assim que fechamos a porta de casa já escutamos os fogos e pronto FELIZ ANO NOVO, FELIZ NOVA ENTRADA, HAPPY 2011!!!!!

Pegamos todos os fogos no caminho de casa, todos eles em sintonia total e coloridos, simplesmente lindos! Eu que nunca passei em Rio de Janeiro, nem em praia alguma a virada de ano, nunca pude prestigiar uma queima de fogos tão bela quanto a que vi, pois no ano passado, mesmo estando na laje da Casa Amarela (minha ex-residência) eram fogos pingados em qualquer canto da cidade com uma pausa de 2 minutos cada.

Chegando em Aliados os fogos encerraram, foi então que percebemos a quantidade de pessoas que saíram de suas residências antes da queima iniciar para prestigiar este momento. Eram crianças, pais, bebês de colo, idosos, casais… Todos vestido com casacos de cores escuras, claro, aqui não faz o calor de quase 40 graus por isso as pessoas não vão até a praia. Fato que vale destacar é que mesmo com a Avenida inteira lotada, era possível com muita facilidade caminhar entre as pessoas, bastava dizer “Com licença” e as pessoas abriam espaço para que as pessoas pudessem passar pelo caminho, diferente da empurração que se tem quando muitos brasileiros se juntam para algum concerto ou algo similar.   Mas, posso dizer que pela banda que tocava no show da virada, eu e mais brasileiros nos sentimos completamente em nosso país escutando as musicas da Banda Furacão Brasil. É engraçado… Você esta do outro lado do oceano, vem para um país diferente do seu, esperando absorver o máximo da cultura desconhecida, mas por aqui pouca musica portuguesa se escuta nos lugares que se vai.

Já na maneira de apreciar a música brasileira, também é engraçado analisar os portugueses, pois com certeza eles devem ter se assustado com os brasileiros que sambavam, dançavam e rebolavam ao som de Furacão Brasil, pois eles nos olhavam como se fossemos bixos fora da selva. Para eles, penso que isso não seja muito normal, pois ao nosso redor as pessoas estavam paradas, apenas olhando o concerto. Enquanto nós dançávamos enlouquecidos curtindo uma virada de ano que talvez nunca mais tenhamos.

Depois de todas as espumantes estouradas fomos para outro sítio aproveitar o restante da noite, pois logo a banda encerrava seu concerto. O sol estava quase nascendo quando chegamos até Cedofeita comer os doces e frutas, e claro, mais um bocadinho de lentilha, afinal, ela ficou tão boa quanto foi a nossa virada de ano.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Anúncios

2.3 na Europa com grande estilo!

Sim! Comemorar o meu 23ª aniversário na Europa foi perfeito! A casa estava toda colorida com balões temáticos do Brasil e de Portugal, frases de felicitações penduradas por todo o lado, e um espaço gigante se formou na sala, após trocarmos os móveis de lugares.

Amigos de várias etnias fizeram-se presente nesta data tão querida, mas a maior surpresa, do dia além do presente que recebi pelo correio de meu namorado, foi à festa brasileira que tive pela web cam do Skype organizada pelas pessoas que eu tanto amo e as quais fazem meu coração sufocar de saudade. Pontualmente, segundo orientações de minha mãe, ás 23:25h (hora de meu nascimento) fui pegar os dois bolos para cantar o “parabéns” quando de repente surge Cedofeita Family com apitos, chapeuzinhos de festa e um grande pacote de presente puxando o hino do “Feliz Aniversário”. Juro que por instantes pensei que não ganharia presente (hahaha), mas ganhei vários, incluindo CD de Rock Portugal, chocolates, pegadinhas, e um kit sobrevivência Porto que incluía pantufas, mantas com sapinho, fones de ouvido e ursinho de pelúcia para momentos de carência…

A primeira parte da festa estava marcada para ser encerrada até ás 23h, devido o prédio inteiro já ter se queixado de nossos momentos de alegria para o senhorio que aluga a morada para nós, mas os brigadeiros convenceram a vizinha a não dar queixa, pelo menos no dia 13. No entanto, a euforia era tanto que a festa em Cedofeita Family se estendeu até as 2:30h, quando partimos para a Discoteca La Movida, por onde ficamos até a festa encerrar.

Em seguida, João, nosso amigo português nos levou a um trailer comer xis, (pensei que isso nem existia por aqui). Não era um xis como o do Kachuka, mas era uma espécie de hambúrguer tamanho grande muito bem recheado, na fome que eu estava comi até cebola e tomate, quem diria… Por isso que sempre acredito quando a Ramone fala: “A Europa muda as pessoas”. E é fato! Aqui você faz festa por qualquer motivo, pensa e faz coisas que nunca imaginou, não julga, e desconhece o significado da palavra preconceito.

Chegamos à casa junto com o sol, sãos e salvos e aliviados por a polícia não ter tocado o nosso interfone como foi ameaçado pelo seu Gomes, o senhorio do nosso apartamento.

Acordei com a sensação de “23ª aniversário comemorado com elegância”, me senti muito feliz por ter recebido abraços e felicitações das diversificadas etnias que por aqui vivem. Algo que não sei se em 2011 vai se repetir, mas vou apostar que sim, afinal, “Quando você quer muito alguma coisa, o universo todo conspira a seu favor”….

Por Nay Back – Intercambista UP.

Ele gostou tanto de Portugal que decidiu ficar…

Felipe Afonso Vieira, mineiro, tinha até o mês de fevereiro Uberlândia como sua cidade. Cansado da sua rotina decidiu apostar no intercâmbio como uma forma de mudar a realidade que vivia. A experiência foi tão proveitosa que decidiu transferir seus estudos para a Universidade do Porto, passando então a viver na cidade do Porto.

Acompanhe a entrevista com Felipe e conheça sua história como aluno de mobilidade.

1– Porque a decisão de fazer intercâmbio? Estava cansado da rotina, em todos os campos da minha vida. Estava me sentindo meio perdido quanto às escolhas que havia tomado e o rumo que minha vida estava tomando. Não estava satisfeito com a minha realidade, para ser sincero. Quando a oportunidade do intercâmbio surgiu, não tive dúvidas. Percebi que o mundo era muito mais do que aquilo que estava sendo minha vida e decidi me submeter ao desconhecido, ao incerto, a experiências novas e, assim, construir um novo “eu”. Sabia que seria um crescimento sem precedentes e arrisquei. Foi à melhor decisão que tomei até hoje.

2 – Como é o processo de intercâmbio na sua Universidade? A secretaria do curso manda informações aos alunos sobre períodos de inscrição e processos seletivos, além de nossa universidade possuir um orgão responsável apenas pela mobilidade de seus alunos. A seleção é feita com análise de currículo, histórico escolar, carta de recomendação, carta de motivação e, por vezes, entrevista. Caso o país tenha uma língua diferente da nossa língua natal, é necessário que se faça uma prova oral e outra escrita sobre o idioma. Essa prova é feita antes da análise dos documentos e é eliminatória.

3 – As burocracias? Eu fiquei sabendo do processo seletivo quando faltava apenas dois dias para o fim do prazo. Mesmo estando em fim de semestre e com muitas provas e relatórios, decidi que valia a pena. Não tive dificuldades em conseguir nenhum dos documentos. Como era para Portugal, não tive que fazer prova da língua e o processo foi bem rápido.

4 – Como você avalia a metodologia de ensino da U.Porto? No começo tudo foi novo e diferente. Fiquei impressionado com a qualidade da faculdade, quanto ao nível dos professores e das aulas são praticamente o mesmo com os que eu tinha no Brasil. Porém, a estrutura física, a organização administrativa, o planejamento de aulas, provas e trabalhos, o incentivo à investigação, a diversidade de oportunidades, a oferta de eventos culturais e um rico ambiente acadêmico superam em muito a minha faculdade de origem. Gostei tanto que optei por pedir transferência para cá e fui aceito sem maiores dificuldades, apenas análise de documentos e uma entrevista. Fiz uma análise prévia das matérias que teriam equivalência, juntamente com o coordenador do curso, para saber quanto tempo faltaria para eu me formar na U.Porto e se realmente era uma boa ideia. Feito isso, conclui que faltaria exatamente o mesmo tempo para me formar, fosse no Brasil ou fosse aqui em Portugal.

5 – Como fez para encontrar moradia? Não foi difícil conseguir pois a U.Porto disponibilizou uma lista de lugares disponíveis. Tive só o trabalho de selecionar e contactar os responsáveis. Logo, já vim com moradia garantida. Aliás, essa era uma exigência para que eu conseguisse o visto.

6 – Como foi sua adaptação para a gastronomia Portuguesa? No início, é normal estranhar a comida daqui. Os portuenses são conhecidos como “tripeiros” e como não gosto de nada que seja tripa, víscera ou qualquer outra coisa do gênero, não gostei muito. Logicamente, não existe apenas isso para se comer, mas são os pratos típicos. Sem dúvidas, a comida no Brasil é mais variada, temperada e saborosa. Em casa, não tive muita dificuldade, pois já sabia cozinhar. O alimento mais caro que achei foi à carne bovina, o restante não achei tão abusivo assim.

7 – Para viajar? Todos que chegam aqui acabam por conhecer, mais hora, menos hora, as tão queridas empresas aéras low-cost: Ryanair e Easyjet. Viajar na Europa é muito mais barato que viajar no Brasil. Aprendemos logo a comprar promoções de passagens e a reservar lugar em hostel. Fazer um mochilão, uma eurotrip, é plano de muitos que vem para cá.

8 – As experiências: A vida como estudante de mobilidade vai proporcionar uma convivência com pessoas de toda parte do mundo. É algo incrível! Muda muito nossa concepção da vida e ficamos mais maduros. Será normal envolver-se mais com pessoas do Brasil, pois é bom encontrar um pedacinho de casa do outro lado do Atlântico, mas fique atento para não ficar preso somente a elas. Trata-se de uma oportunidade única, então aproveite! Com relação aos portugas, eles são mais fechados mas são bem leais e companheiros basta saber conquistar tudo isso.

Uma das coisas mais difíceis, talvez, para quem vem num intercâmbio é ter que morar sozinho. Tomar conta da organização e limpeza da casa, administrar o dinheiro, aprender a fazer compras e a poupar, cozinhar e planejar tudo isso concomitantemente com os horários de faculdade e festas, são tarefas que podem ser novas para muitos, assim como foi para mim.

9 – Algo para destacar? Algo que merece atenção é o fato de que, apesar de estar em Portugal, nunca utilizei tanto o inglês na minha vida. É como se fosse à língua oficial dos intercambistas e mochileiros. Então, antes de vir, caso necessário, melhore o seu inglês, pois será de grande utilidade.

10 – Mensagem para os próximos que virão: Por motivo algum nesse mundo, na medida do possível e do bom senso,  não deixem de vivenciar uma experiência dessas. Será algo que mudará você de uma maneira que nunca poderia ser feita na sua vida normal. Você vai evoluir, amadurecer, aprender a curtir as coisas boas da vida, aprender a respeitar a diversidade cultural e étnica, fazer muitos amigos, ir em festas incríveis, participar de viagens malucas, aprender muito profissionalmente, aprender a ser mais maleável e, acima de tudo, vai saber que se está vivendo!

Por Nay Back – Intercambista da UP.

De Portugal para o mundo…

Muitos intercambistas sentem a necessidade de expor as expêriencias do intercambio por meio de um blog. Ramone e eu somos um exemplo, mas conhecendo mais brasileiros que vivem na cidade do Porto, encontramos outros blogs que mesmo apresentando assuntos semelhantes, falam de maneira diferente….

Criado no final da década de 90, o blog é um fenômeno recente que surgiu para colocar em evidência o poder individual, ao contrário dos meios de comunicação tradicionais como a televisão e o jornal impresso que ainda se baseiam no sistema um para todos e não todos para todos como é o caso da web. Para dar certo, o grande segredo de um blog, é fazer ou criar algo que desperte o interesse do público sobre o assunto, nesse sentido, os blogs são a oportunidade de “fazer barulho” na internet, porque são comunidades, porque se relacionam, têm conteúdo, consistência e clareza. Está rede social é diversidade, atinge vários públicos, é prático, simples, fácil de criar, manter e acessar, e o melhor de tudo: está disponível em versão gratuita. Por isso está ferramenta além de um guia de informações, já está sendo uma grande estratégia comercial para os meios de comunicação, empresas, marcas e pessoas públicas.

Vale destacar que um dos fatores importantes para a criação de um blog é a facilidade da utilização de ferramentas que permite que qualquer pessoa crie um. O trabalho de postar notícias, artigos, crónicas, entre outras informações envolve todo o trabalho que deve chamar a atenção dos leitores, pois está ferramenta na maioria das vezes possui pouca divulgação, tanto que muitas vezes o blogueiro deve repensar seus objetivos em escrever. Como é o caso de Fernanda Kist Pulgiero, autora do bloVida Portuguesa “Fiz o blog logo que a ‘aventura’ começou, com o esquema de conseguir organizar documentos, comprar passagem e tirar o visto. Depois fui descrevendo o que ia me acontecendo, eventos importantes do Porto e em Portugal, viagens, paisagens, cidades e etc. Mais tarde, comecei também a colecionar personagens, descrevendo pessoas que conheci e situações. Fiz muitos perfis que são divertidos de ler e acabam por informar também”.

Acima de tudo, o blog proporciona um poder de comunicação bidirecional instantâneo sendo assim um canal de comunicação mais veloz nas interações e com mais valor agregado por que possui leitura agradável e cronológica, é fácil de fazer e manter, custa pouco, possui navegação intuitiva e simples, abre espaço para comentários, disponibiliza troca de links, é personalizado, faz parte de um nicho e é especialista.  Como por exemplo, o blog Tão perto.. Tão longe de Laura Teixeira de Souza, o qual foi feito com o objetivo de amenizar a saudade de quem está longe, segundo a autora “É uma tentativa de trazer pra perto aqueles que eu tanto amo! É uma forma de fazer ser lembrada, quando eu estiver longe”. Por motivo semelhante Pablo Giraldi autor do blog Pablo pelo Mundo diz que “O principal motivo de ter feito este blog foi o de manter informados todos meus amigos e família a respeito das minhas ‘aventuras’ no exterior. É diferente de apenas ‘contar’ a eles pelo MSN, Skype, Facebook, etc, porque envolve uma maior entrega nos textos, onde procuro expressar todas as emoções através das palavras. Além de poder ilustrar as experiências com fotos e vídeos”.

Dessa maneira pode se confirmar uma aproximação da parte dos blogueiros e do público-alvo que cada um abrange, como por exemplo o blog do Proograma Erasmus Mundos UFRJ que foi criado para que os alunos possam manter um maior contato com as informações e com os alunos que já fizeram parte deste Programa. Já o intercambista Pablo complementa “Vejo que as pessoas têm gostado desta iniciativa, e todos os feedbacks que recebo são bons. Infelizmente por falta de tempo acabo por não atualizá-lo com a devida frequência, mesmo assim, o blog acaba por ser uma boa maneira de “resumir” minha estadia no exterior, para aqueles que queiram saber, sem que seja necessário repetir as histórias diversas vezes. Como não sou da área de Comunicação Social, meu blog naturalmente deve conter diversos equívocos do ponto de vista jornalístico, entretanto, encorajo-me a continuar escrevendo por realização pessoal e incentivo, como disse anteriormente, de amigos e família”.

Por Nay Back – Intercambista da UP.

Antes eu imaginava… Agora eu estou vivendo!

Eu imaginava ter um pôr do sol em frente ao Rio Douro, cenário deslumbrante e cartão postal da cidade do Porto/Portugal. Imaginava como seria estudar em uma Universidade que recebe estudantes dos mais diversos lugares do mundo e das mais variadas culturas. E imaginava também poder passar os finais de semana viajando para os principais pontos turísticos da Europa vistos antes somente pelas novelas e filmes, como por exemplo, Roma, Paris e Londres.

Eu apenas imaginava… Parece clichê dizer que tudo era um sonho distante, e que o fato de estar fazendo intercambio em Portugal ainda não parece ser real. Eu sai do interior do meu estado, com uma mala cheia de expectativas e coragem para desapegar da minha origem e me aventurar ao desconhecido, para poder desfrutar os benefícios e dificuldades que a vida de intercambista poderia me oferecer no período de seis meses de estudos no exterior. Algo que anteriormente era apenas uma ilusão.

Como pode uma pessoa mudar tanto em tão pouco tempo? Eu ainda estou deslumbrada com os acontecimentos desta nova vida, afinal, todos os dias são experiências novas. Você sai de casa e passa a viver longe de todas as comodidades que tinha, aprende a sobreviver de maneira própria e em momentos de desespero você acaba descobrindo a pessoa que é. Nesse percurso não só acumulo conhecimento, mas sim maturidade para fortificar o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Por isso, hoje eu compreendo melhor a frase do religioso Heber J. Grant “Aquilo que persistimos em fazer torna-se mais fácil, não porque a natureza da coisa mude, mas porque a nossa capacidade de executá-la aumenta”.

Vejo que diante das oportunidades que o país oferece enriqueci profissionalmente, conheci a cultura do povo português e dos outros estrangeiros que por aqui estudam. É o mudo! Essa cultura de integração, a raça humana é uma só mas é  tão diversificada.

É por isso que eu aposto nesta experiência como um avanço para o meu desenvolvimento humano, pois com certeza isso só tem a acrescentar na aprendizagem cultural, pessoal, profissional e emocional. Tudo isso é um momento único de evoluir e, assim, permanecer sempre aberta para o mundo.

Tenho certeza de que quando voltar para o meu berço, após saciar toda a saudade das pessoas que eu amo, a vontade de retornar será imensa. Tenho tanta certeza que já estou focando meu futuro em um mestrado na Europa.

Por Nay Back – Intercambista UP.

 

Com fome??

Correria de final de semestre…

Passei o domingo de chuva sem olhar para janela e do barulho da chuva tentei me inspirar e escrever as matérias para o jornal temático de intercambio que tenho de finalizar até o dia 15 de dezembro. Confesso que estou em pânico… Sair do interior da UNIJUÍ e vir para uma Universidade estrangeira cursar jornalismo não está sendo muito fácil. Eu que pensava que seria mais prático escolher matérias práticas para ficar livre de provas, percebo hoje que não fiz a melhor escolha do meu semestre acadêmico europeu… Fazer diversos trabalhos (imprensa, televisão, rádio, online, foto e vídeo) sem embasamento teórico algum esta me deixando com muita saudade da vida acadêmica de Publicidade e Propaganda, agora mais do que nunca eu vejo que é está a formação acadêmico que quero para mim, e se não fosse as minhas experiências nos estágios eu jamais saberia fazer um programa de rádio muito menos mexer nos programas de edição de áudio.

Não tenho do que me queixar dos laboratórios aqui, afinal, fica fácil aprender a mexer no Adobe Premiere utilizando um Aplee 29 polegadas, e me fechar sozinha numa ilha de rádio com estrutura profissional, a lidar com máquinas, filmadoras e gravadores europeus. Observo que aqui a prática é muito forte! Mesmo com o jeito “lerdo” dos portugueses aqui os trabalhos de improviso e as atividades de campo são muito forte. Parece que meus colegas são tão esperto e ágeis, que mesmo eles respondendo “Não sei, acho que sim” e “pode ser, mas não sei se está certo” para as minhas perguntas eles sempre fazem a coisa certa.

Bem… Mas dando razão para o título…

Abaixo segue três receitas estrangeiras de pratos típicos da Europa. Na busca de fonte para meus textos do jornal temático sobre a vida de intercambista, meus amigos estrangeiros colaboraram com receitas de seus países. Se não sabes o que vai comer aqui ficam as dicas.

Tortilla Española – Tortilha Espanhola

Por Alejandro Franza – Espanhol

A quantidade de ingredientes depende da porção que se queira fazer e do tanto fofa deseja que fique a textura.

Ingredientes: Batatas, ovos (aproximadamente um ovo por batata), cebola, Sal e Azeite.

Modo de preparo: Corta-se as batatas em formas irregulares não muito grandes, a cebola bem picada em pedaços pequenos, leve tudo isto para a frigideira com abundante azeite de oliva virgem extra (se for outro azeite o sabor fica diferente), em seguida frite a batata na frigideira de forma que fique apenas amarela e não crocante e não torrada. Bata os ovos em um recipiente, em seguida misture tudo e acrescente um bocado de Sal. Uma vez feito isto, aqueça a mesma frigideira de antes mas sem azeite, coloque toda a mistura mas sem mexer nada. Minutos depois, com a ajuda de uma pá, vire a tortilha e aquece o outro lado, passado outros minutos com a ajuda da pá tira-se a tortilha fora da frigideira e… Pronto!

Nota: Este é um prato típico espanhol, e se acostuma comer num âmbito mais informal, com amigos. Para acompanhamento costuma-se tomar com cervejas ou algum refrigerante, e sempre acompanhado com pão.

J “Giouvetsi”

Por Sergoun Goun Goun – Grego

Ingredientes: 1 quilo de carne macia na panela, 1 pacote de macarrão, 4 tomates grandes e maduros batidos em liquidificador, ½   e ½ xícara de azeite extra-virgem, 4 dentes de alho, 1 colher de chá de açúcar (só se o tomate for fresco), Sal, pimenta a gosto, 4 ou 5 grãos de pimenta da Jamaica, 1 colher de chá de canela, 1 colher de chá noz-moscada, 2 folhas de louro, ½  xícaras de água quente, 1 cubo de galinha knor e queijo parmesão ralado (ou outro tipo de queijo).

Modo de preparo: Lave bem a carne, corte em pedaços e seque.
Despeje o vinho em uma panela e refogue a carne de todos os lados, até o vinho evaporar. Adicione o tomate, açúcar, sal, pimenta, um copo de água quente e outras especiarias. Basta ferver, acrescente o óleo (uma das duas metades), abaixe o fogo e cozinhe por quanto tempo for necessário (cerca de 25-30 minutos, ou conforme necessário para amolecer bem a carne).

Em uma panela de barro ou pirex, despeje o conteúdo da panela com carne e molho, adicione duas xícaras de água quente com o knor dissolvido em cubo, acrescente o macarrão, (por isso vai a toda parte uniforme) adicione a outra parte do axeite (1/2 xícara), mexa bem e, em seguida, cubra com papel alumínio (se colocar em uma panela de barro com uma tampa, cubra bem com a tampa). Pré-aqueça o forno e colocá-lo a 180 graus por 35-40 minutos.

Pouco antes de expor os alimentos, misture polvilho com queijo ralado, e acrescente ao prato, em seguida continue a assar até o queijo derreter para fazer a crosta e obter uma cor dourada.

Nota: – Quando você expõe o alimento, se for necessário adicione um pouco mais de água.
– O óleo deve ser suspenso, por último, estar “vivo” e não perder as suas propriedades e cheiro.

– Saboreie o prato com um bom vinho em temperatura ambiente.

Bucatini All’amatriciana

Por Simone di Ludovico – Italiano

Ingredientes para 4 pessoas: Um pacote de Bucatini (ou outras massas), 400 gramas de bacon e toucinho, 6 tomates (maduros), 1 cebola, Romano Pecorino ou em flocos, Sal e pimenta a gosto, Azeite e 1/4 xícara de vinho branco.

Modo de Preparo: Em uma panela leve para cozinhar a massa. Em seguida corte em pedaços a cebola e deixar fritar com o azeite em uma panela, após acrescente o toucinho, bacon e tomate com um pouco de azeite e aqueça bem até ficar levemente cozidos, após adicione o vinho branco e deixe evaporar, acrescente o sal e adicione uma pitada de pimenta, misture bem com uma colher de madeira que serão deixados na panela durante o cozimento, e cubra com a tampa. O molho deve ferver por aproximadamente 30 minutos. Escorra os “Bucatini” e molho juntos, por fim, adicione o romano ralado em flocos ou pecorino e manjare!

Nota: Esta é uma massa típico italiana, e possui uma bela combinação com um vinho tinto seco.

Caves de vinho do Porto…

Já que nosso amigo que faz Erasmus na Espanha estava nos visitando na última semana, eu e a Nay saímos de casa em uma bela e nublada manhã de segunda-feira para mostrar alguns pontos turísticos de Porto para o Alécio.

Depois de visitar algumas praças, a reitoria e a Ribeira, atravessamos a ponte Dom Luíz I sob chuva e fomos para Gaia conhecer as caves de vinho do Porto. Após uns 15 minutos tentando descobrir onde eram as caves do Offley e do Croft, resolvemos entrar na cave mais próxima e fazer um tour guiado ao custo de 3€.

Como havia um casal de espanhóis juntamente  conosco, resolvemos seguir o tour em espanhol mesmo, o que se mostrou muito interessante e fácil de compreender, e quando surgiam algumas palavras desconhecidas, o Alécio estava ali para nos socorrer.

Os vinhos Vasconcellos são produzidos desde 1879 e plantados entre os vales, para que possa ser bem irrigado e não pegue muito vento. Como o território é irregular, a colheita é feita manualmente. Em dias de festa, o suco da uva é extraído do modo tradicional, através da pisada de vários homens, mas para a fabricação do vinho que é comercializado, o suco é extraído através de prensa mecânica. Após obter o suco, as uvas são misturadas com aguardente e colocadas para fermentar em diferentes tipos de pipas.

O tipo de vinho que se quer produzir é o que vai determinar quanto tempo o líquido ficará fermentando para que a madeira possa absorver a cor e o açúcar do suco. Os Vinhos do Porto brancos apresentam uma doçura variável, desde os muito doces chamados “Lágrima”, passando pelos “Doces”, “Meios Secos”, “Secos” até aos “Extra Secos. O seu teor alcoólico varia normalmente entre os 19% vol. e os 22% vol. Existe uma categoria especial designada “Leve Seco” que, além de ser bastante seco, apresenta uma graduação alcoólica de 16,5%.

Na família dos Vinhos do Porto Tintos tintos existem dois grandes grupos: os vinhos Sem Data de Colheita (Ruby, Tawny, 10 anos, 20 anos, 30 anos, e Mais de 40 anos) e os vinhos Com Data de Colheita (Vintage, LBVe Colheita).

Ruby – É um vinho de lote, cuja cor vermelha faz lembrar as pedras preciosas com o mesmo nome. É um Vinho do Porto jovem, tinto, encorpado e frutado, obtido por lotação de vinhos de diversas colheitas.

Vintage Character – Resulta de lotações de Vinhos do Porto jovens de qualidade superior, com uma média de idades entre os três e os quatro anos. Com uma estrutura complexa, caracteriza-se pelo seu corpo e frutado intenso.

Tawny – Em inglês a palavra “tawny” significa alourado. O Tawny obtém-se a partir de lotações que envelhecem em cascos de carvalho. O seu processo de envelhecimento é mais acelerado do que o do Ruby. Devido à oxidação, a sua cor vai adquirindo, pouco a pouco, matizes alaranjadas, próximas do alourado. Com uma idade média de 3 anos são elegantes e delicados. Tawny com indicação de idade – Os tawnies de “10 anos”, “20 anos”, “30 anos” e “Mais de 40 anos” constituem lotações de vinhos de diferentes colheitas, envelhecidos em madeira, cuja idade média é a indicada no rótulo. De cor alourada pelo prolongado envelhecimento em madeira, as principais características de um Tawny com indicação de idade são a complexidade de aromas, a frescura, a persistência aromática e o refinamento. Vinhos do Porto com Data de Colheita Neste grupo distinguem-se os Vinhos do Porto que são envelhecidos em madeira dos que, após um estágio relativamente curto em casco, prosseguem o envelhecimento em garrafa.

Vintage – O Vintage é uma preciosidade. Depois de permanecer dois anos em contacto com a madeira, prossegue o seu lento envelhecimento em garrafa ao abrigo do ar e da luz. Pouco a pouco, o vinho melhora consideravelmente as suas características, desenvolvendo o seu “bouquet”. O rótulo, além de indicar a data de colheita, tem que referir o ano do engarrafamento. Nesta categoria incluem-se os chamados “Vintage de Quinta‘” obtidos a partir de uvas provenientes apenas da quinta que lhe dá o nome. LBV (Late Bottled Vintage) – Este vinho, de grande qualidade, provém unicamente do ano indicado na garrafa. Antes de ser engarrafado, o LBV permanece em madeira 4 a 6 anos, tempo de maturação que lhe confere uma maior evolução de cor relativamente ao Vintage.

São vinhos de intensa coloração, taninosos, de carácter jovem que no seu “bouquet” denotam uma componente ligeiramente oxidativa que provém do seu envelhecimento inicial em madeira. Colheita – Vinho do Porto que provém de uma só colheita, indicada obrigatoriamente no rótulo. São vinhos que envelhecem em madeira e apenas são engarrafados quando se pretende colocá-los no mercado.

Passam por um estágio mínimo de 7 anos, o que lhes confere uma cor alourada, um sabor suave, delicado, profundo e complexo. Na sua composição intervêm diversas variedades de uvas, destacando-se a “Touriga Nacional“, a “Tinta Amarela”, a “Tinta Barroca”, a “Tinta Roriz”, a “Touriga Francesa”, e o “Tinto Cão”.

Após conhecermos a história de cada vinho, fomos degustar de uma taça de vinho verde e uma taça de vinho tinto, o que já nos deixou meio tontos, devido a quantidade de álcool. O Alécio não perdeu a oportunidade de adquirir uma garrafa de 10 anos para levar para seus pais degustarem dessa maravilhosa bebida.

Por Ramone Pacheco – Intercambista UP.