Caminhos do Romântico no Porto

No âmbito do protocólo que a Reitoria da Universidade do Porto tem com a Câmara Municipal da cidade, para o dia de hoje foi promovido uma visita guiada a Casa Tait e Caminhos do Romântico do Porto. Aproveitando a ocasião, me inscrevi no passeio e fui conhecer mais este ponto turístico da cidade. Mesmo com o dia nublado consegui capturar belas imagens, as quais utilizarei para meu trabalho de Fotojornalismo.

Os Caminhos do Romântico são compostos por cincos percursos temáticos que apresentam um pouco das contradições do Porto de Oitocentos, romântico e burguês, rural e industrial. O primeiro percurso, Porto do Romantismo, tem os jardins do Palácio de Cristal como ponto de partida. O passeio continua depois pela rua Rua de Entre-Quintas e Rua da Macieirinha, alcançando-se a Casa Tait e o Museu Romântico. O segundo percurso intitulado O Aproveitamento da Água, acompanha os antigos leitos da Ribeira de Massarelos e seu afluente, o Rio de Vilar. Seguindo pela rua da Macieirinha descobrem-se fontes, chafarizes e lavadouros que abasteciam quintas da nobreza e burguesia e pequenos campos agrícolas.

O percurso seguinte, Arqueologia Rural e Industrial, entre a travessa da Macieirinha e o Cais do Bicalho revela dois estilos de vida que se sucedem no tempo: um espaço rural que se torna, a partir do século XIX , num espaço predominantemente industrial. Esta mudança ocorreu ao serem aqui instaladas moagens, serrações e fundições. Este percurso, A Fábrica de Massarelos e o Prestígio da Burguesia, faz a ponte entre cenários rurais, cenários piscatórios e industriais, entre lugares de agricultura que parecem imutáveis desde o século XVII, vestígios de uma povoação de faina fluvial e marítima e as ruínas da primeira fábrica pombalina do país.

Do Gólgota a Massarelos é o último percurso destes Caminhos do Romântico. O percurso parte da Faculdade de Arquitectura, passa pelo Gólgota, bairro de operários que trabalhavam na indústria ribeirinha e recria o caminho destes trabalhadores até Massarelos por entre a beleza paisagística da Arrábida.

Se você ainda não conhece este percurso vale a pena visitar. Basta ir até a Casa Tait durante no horário das 9h ás 11:30h ou das 14:30h até ás 17h, o passeio é gratuito e demora em torno de umas duas horas.

Por Nay Back – Intercambista UP.

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Criando asas para voar

Em março do ano passado Patrícia Manchine rumou para Amsterdam na Holanda por meio do programa Au Pair, onde ficou meio ano trabalhando de babá cuidando de duas crianças holandesas e aperfeiçoando o inglês. Em setembro novamente arrumou suas malas e veio para a cidade do Porto em Portugal cursar mestrado no curso de História e Patrimônio. Na entrevista, a intercambista nos coloca á par de suas experiências em viver fora de seu berço.

01 – Como tudo começou? Estava para me formar no ano de 2099 e no mês de setembro decidi fazer intercambio, mas mesmo antes das aulas no mestrado iniciarem decidi vir para Europa para conhecer os países e aperfeiçoar o meu inglês. Foi então que comecei a procurar os países que estavam cadastrados no programa Au Pair e quando encontrei a Holanda na lista dos países conveniados, adorei!

02 – Porque a Holanda? Decidiu vir para Holanda pelo estilo de vida, de andarem de bicicleta, de ser um país pequeno, mas ter uma população de mente aberta, por serem receptivos a estrangeiros, e estar bem localizado, para poder viajar bastante.

03 – Como foi à aceitação da parte dos teus pais com o intercambio? A idéia de ir para a Holanda a principio não os agradou, pela simples razão de não concordarem com o fato de eu estar me formando em uma Universidade bem conceituada no Brasil e ir para a Holanda cuidar de duas crianças, eles argumentavam dizendo que eu não estava estudando para ser babá. Mas eu mostrei o lado positivo de estar na Europa, que mesmo trabalhando de babá, eu estaria recebendo um bom salário e não teria gastos com alimentação e aluguel, poderia aperfeiçoar o inglês e poder viajar para muitos lugares com pouco dinheiro. A principio este intercambio seria por um ano, mas eu mudei de idéia quando eu vi a possibilidade de vir para Portugal fazer mestrado, então eu cancelei o contrato com a família.

04 – Como foi o processo burocrático para entrar na Holanda e depois para entrar em Portugal? O tempo de duração para o visto na Holanda demorou em torno de dois meses, foi um processo bem burocrático, mas quem deu entrada no visto e cuidou de todos os documentos foi à família na Holanda, a minha responsabilidade se simplificou em tirar o passaporte e enviar a cópia para eles, se teve complicações eu não fiquei a par da situação.  Dois meses depois, os documentos vieram até São Paulo, então eu tive de ir até lá levando o meu passaporte, certidão de nascimento atualizada e registrada em cartório e uma cópia traduzida para o Holandês. Apenas isso, o que é bem diferente do processo de visto de quando um estudante vem para Portugal ou outro país da Europa. Já quando eu cheguei aqui no Porto, tive de cancelar o visto de residência na Holanda e solicitar um aqui, pois não se pode ter dois vistos na Europa para países diferentes.

05 – Como foi a sua vivencia na Holanda? No início eu não gostei, pois estava morando longe de meus pais, eu morava em outra cidade no tempo em que estudava, tinha toda a minha liberdade, e de repente voltei a morar com uma família que não era a minha, eu me deparei condicionada a rotina de pessoas que eu não conhecia, e isso foi muito estranho. Demorei muito para me adaptar, e quando eu já estava adaptada eu sai para vir pra Portugal.

06 – Porque intercambio em Portugal? Na verdade eu já tinha muita vontade de vir para Portugal, mas para eu sair do Brasil no mês de dezembro, alta temporada para viagens, ou em agosto, eu iria precisar de muito dinheiro para comprar a passagem e pagar a propina da Universidade, então eu vi na oportunidade de ir para a Holanda uma boa solução, pois a parte burocrática foi da família holandesa que ainda me reembolsaram a passagem de ida até o país. O beneficio foi enorme!

07- Porque a cidade do Porto? A vinda para Portugal foi devido a situação que eu estava, era o caminho mais fácil pela questão da língua, pois se eu tivesse interesse em estudar na Espanha, Itália ou até mesmo na Holanda eu teria de fazer um teste de proficiência, possuo um inglês avançado mas não fluente para nível acadêmico.  Outra questão foi o lado financeiro, como eu não tenho passaporte europeu se eu fosse estudar na Holanda eu teria de pagar nove mil euros de propina por ano, sendo que aqui o custo é em torno dos 1300 euros, uma diferença muito alta, e também por Portugal ser um dos países da Europa que possui um custo de vida baixo em relação aos outros.

Analisando o valor da propina aqui na Universidade do Porto, parcelado em 12 vezes o valor fica muito acessível, ao contrario do mestrado no Brasil, onde se paga muito caro, além do difícil processo de seleção que você paga e envolve analise de curriculum, provas, entrevistas…

Escolhi a cidade do Porto por passar no mestrado que eu queria muito “História e Patrimônio” que existe somente em uma Universidade no Brasil. Akém do mais, Porto é uma cidade que tem vida, possui fácil acesso a cidades pertos, pega se o trem e por pouco tempo e euros você viaja até qualquer cidade histórica do país.

08 – Como está sendo estudar fora do Brasil? Na Holanda eu tive um convívio pequeno com as pessoas, No Brasil eu morava em outra cidade mas no mesmo estado de minha família. Conhecia bastante as pessoas e os professores.

O que eu sinto aqui é que os professores são distante dos alunos, como a experiência que eu tive de não ter respostas de e-mail, lá no Brasil eu me sentia em casa, eu tinha acesso a sala dos professores para pedir opiniões acadêmicas, eles eram mais próximos. A universidade não tinha muita estrutura devido à faculdade ser do governo muitas coisas não funcionavam. Já aqui a estrutura é perfeita, a limpeza, os laboratórios, eu só sinto em comparação a Holanda que falta integração entre aluno e professor. Os Portugueses são muito receptivos, mas são reservados a questão da sua turma, aqui e na Holanda eu senti esta frieza, portugueses com portugueses. E no Brasil não somos assim, todos querem ser amigos de todos.

09 – Quais os laços de amizades que fez até o momento? Na Holanda eu fiz muita amizade sólida com brasileiros, amigos com quem falo diariamente e que levarei para o resto de minha vida. Eu estava num país diferente então quando encontrava algum brasileiro eu me identificava, deseja sempre estar perto, eu observo que a partir disso passei a ver o sentido da amizade principalmente pelo fato de querer ajudar as pessoas que estavam na mesma situação que eu.  Falando de minha família holandesa os laços que criei foram com as crianças, pois o casal eram individualistas. Eles deixavam bem claro que eu estava lá para trabalhar, a minha vida era em função deles, e em alguns momentos eles eram bem criteriosos. A relação era como se eles fossem meus pais só que sem o sentimento envolvido, porque os seis meses que eu fiquei ainda não foram o suficiente para criar forte vinculo devido a diferença cultural é muito grande.

10 – Qual é a força da saudade? No Brasil eu sinto saudade da minha família, do verão do clima, pois adoro verão e o jeito brasileiro de ser: simpático, integrador. Na Holanda sinto falta dos ambientes, lá é tudo quentinho, pode ficar de roupa curta em qualquer local fechado, dos transportes públicos tudo muito rápido e limpo, e claro das bicicletas, sinto muita falta, pois fazia tudo de bicicleta: levava as crianças para a escola, ia para as festas e fazia as compras de supermercado…

Mas do que eu sentirei mais saudade de quando eu for embora será da liberdade que eu tenho de viajar pela Europa gastando pouco, das pessoas que conheci, de sair de casa e saber que eu posso fazer amizade com um turco, ou um italiano. De saber que se eu quiser ir para Madrid eu posso gastar menos que a compra de um casaco. De viver bem e gastar pouco.

11 – Como você analisa as experiências que teve até o momento? Dentro de minha bagagem cultural eu vou guardar culturas diferentes: Brasil, Holanda e Portugal. Portugal colonizou o Brasil e estando aqui eu observo muita atitude de português que me lembra tanto o Brasil, algumas coisas são muito parecidas e outras tão diferentes.   Os Holandeses são muito cabeça aberta em termos de sociedade, e para certas coisas neste ponto o Brasil é muito careta.  Chegar a um país onde a droga e a maconha é liberada, as pessoas fumam como se fossem beber água e fazem sexo casual, tudo isso para eles é algo aberto e normal e mesmo com toda essa “liberdade” o povo é muito rigoroso, pagam imposto, mantém as ruas limpas, compram os bilhetes de trem mesmo sem fiscal por perto, as pessoas tem consciência, são muito responsáveis. Algo que no Brasil não acontece.  Portugal tem uma cultura em termos de responsabilidade semelhante à Holanda, um exemplo disso foi quando eu esqueci minha bolsa em um provador de uma loja e quando eu voltei para ver se a encontrava eu recebi a bolsa intacta. Do jeito que alguém encontrou, devolveu. Eu admiro demais isso!

Posso destacar algo que faço muito aqui que é andar a pé, ir para as festas caminhando. Na Holanda eu andava de bicicleta e aqui a pé. Duas experiências diferentes do Brasil. E analisando essas experiências eu percebo como as coisas são simples. Aqui as pessoas têm uma liberdade que no Brasil não se tem, como por exemplo, ir para uma festa caminhando, ou de bicicleta como na Holanda. E ao mesmo tempo você tem laços de amizade no Brasil que aqui não temos.

12 – A dica de Patrícia para estudantes que desejam fazer intercambio: A vida é muito breve e valiosa, então você tem de se descobrir, e você só vai conseguir fazer isso quando sair do seu território seguro, quando estiver longe de casa, da sua cultura, da sua família. Então você vai aprender a sobreviver de maneira própria. Vai conhecer pessoas, trocar idéias e experiências, vai abrir a mente e buscar uma identidade, às vezes você tem certeza da pessoa que é, mas em momentos de apuros e desespero você se descobre outro. É tão bom aprender metodologias novas, viajar e conhecer pessoas, são experiências de vida que ninguém te rouba. É o mudo! Essa cultura de integração, a raça humana é uma só mas é  tão diversificada. Tudo parecia de novela… Aqui eu me sinto muito bem! Deslumbrada…

Por Nay Back – Intercambista UP.

De bar em bar…

De sítio em sítio, dançando loucamente e nada de cerveja foi assim que se definiu a noite de ontem. Quando a chuva deu uma pausa, Cedofeita Family saiu pelas ruas do Porto desbravar novos sítios a procura de algo que pudesse fazer parte de nossa diversão.

A primeira paragem foi no bar 77, que é conhecido por ser recorde na venda de mini Super Bock (sai uma a cada 30 segundos) e pelos deliciosos lanches que vendem na madrugada da noite portuguesa. Em seguida partimos para um pub do qual não me recordo o nome, mas era perto de outras discotecas que se localizam na região da reitoria.

Depois fomos ao Maximos, onde nos sentimos no Brasil, por o Dj soltar músicas do samba brasileiro, em seguida passamos por outro pub com decoração temática da Turquia, mas que já estava fechando. Por isso partimos para Cedofeita novamente.

Acostuma-se fácil se locomover para qualquer lugar do Porto de transporte público ou até mesmo a pé, e ainda a entrar gratuitamente em festas. Digo ainda que é muito bom ser brasileira fora do Brasil, andar pelas ruas sem perigo com a total liberdade e observar  o movimento da cidade, vê as pessoas sem se preocupar com imagem ou padrão.

Porto é uma cidade que além de ter uma imensa variedade de lugares para se visitar, é uma cidade que tem vida. E quanto mais eu ando por aqui, mais percebo o quanto falta conhecer os lugares, pensando nisso e claro, aproveitando o dia de sol que tivemos hoje (Aleluia! Sol!) fomos até Vila Nova de Gaia por cima da ponte da Ribeira conhecer a cidade vizinha do Porto e tirar belas fotos das imagens que vimos.

Percebo que deveria ter dormido menos, (afinal, dormir em euros custa caro, prova disso são os valores dos hosteis) e ter ido desbravar mais a cidade onde vivo, mas… Ainda temos tempo, por isso amanhã iremos para qualquer lugar conhecer qualquer coisa independente de ter sol ou chuva.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Se faltar calor a gente esquenta…

Mais uma vez os meteorologistas acertam a previsão de tempo do Porto, assim nos “proporcionando” dias de frio e muita chuva. O que para nós já se tornou algo normal, por isso nada disso é desculpa para ficar em casa embernando. Sendo assim… Ontem foi a noite de abrir a sombrinha e ir até a discoteca pagar a prenda da corrida de Kart por mim, Ramone e a Ludi.

Depois de passear pela discoteca segurando um abacaxi junto de Ramone vestindo um lendo na cabeça e Ludi um sutiã por cima da roupa, de dançar passos inventados dos anos 60, fazer um book fotográfico na decoração do Armazém do Chá e fazer tudo o que se possa imaginar, percebi o quanto a vida é simples e o quanto as coisas podem ser fácil se você não se importar com o que as pessoas pensam. Como diz a música “Seja você, mesmo que seja bizarro”.

A dúvida por parte das pessoas em saber por que estávamos “bizarras” era inevitável. Duvidando de tudo o que é certo, essa brincadeira acabou sendo um fator influenciador para novas amizades. É engraçado… O intercâmbio quase finalizando e mesmo assim, quando você pensa que não é possível conhecer mais pessoas é aí que você se surpreende, e se não for possível, a gente tenta.

Por Nay Back  – Intercambista UP.

Inglês, Português ou Grego?

Que língua é essa?

Escrita semelhante, apenas uns Cs ou Ps a mais do lado de alguma consoante e algumas palavras iguais mas com significados diferentes, como por exemplo, pixar, durex e rapariga… Os verbos parecem não estar conjugados no tempo certo e ao escutar os professores falando em sala de aula parece que as palavras não são em português, e sim em inglês, grego ou francês…

A sensação de não compreender a língua portuguesa de Portugal não é só comum entre os brasileiros, mas sim para os estrangeiros que se aventuram a estudar por aqui, há também aqueles que chegam até aqui somente com sua língua de origem ou com o inglês, mesmo assim investem na oportunidade de intercambio.

No início do semestre eu e minha colega espanhola Elizabeth mal conseguíamos nos comunicar, passado um mês das suas aulas de língua portuguesa, hoje ela compreende melhor o que eu falo, mas o mesmo não aconteceu em relação aos portugueses.

Um fato semelhante aconteceu a um tempo atrás. Em Cedofeita Family chegou Verônica, nossaa amiga italiana que bateu na porta com olhar entristecido. Na sua Universidade de origem ela estuda Ciência Arboristica e na U.Porto farmácia, além de estar num curso que não é o mesmo do seu país e mesmo conhecendo as palavras do vocabulário lusófono, apenas com algumas dificuldades de conjugação dos verbos, fora isso, fala muito bem.

Com lágrimas nos olhos relatou da dificuldade em não compreender o que seus professores explicam nas aulas, tanto que no dia seguinte passou a noite estudando mas pouco do conteúdo compreendeu. Para consolá-la falei de que mesmo tendo um vocabulário português em muitas situações, escutar o diálogo de portugueses é incompreensível, não só para mim, mas para outros brasileiros.

Quatro meses já se passaram desde a minha chegada, mas algumas palavras ainda soam estranhas, e outras necessito de explicações para compreendê-las. Pelo jeito expressivo dos portugueses, o linguajar do país me deixa admirada que soa tão delicado em meus ouvidos, como as palavras “bocadinho”, “percebes”, “tais a ver” e “vem comigo cá ter”. E analisando outras palavras em frases completas até me faz criticar o português do Brasil, e julgar inadequada o modo como é o nosso idioma.

Mas as diferenças entre a escrita do português de Portugal e Brasil já estão sendo diminuídas, pois entrou em vigor no ano de 2009 a unificação da língua portuguesa entre os países desta língua a fim de de aproximar as nações.

Para conhecimento da nova ortografía no Brasil e em Portugal acesse  Atica. E para downloads Baixaki.

Por Nay Back – Intercambista UP.

Saldos

Como eu já havia comentado em posts anteriores, o Natal aqui pela Europa foi diferente do Brasil não só em termos de clima e decoração, mas fato que vale destacar, o qual ainda não foi mencionado é a maneira de presentear as pessoas nesta data.

No Brasil o Natal é a data de maior consumo, quando as lojas aproveitam para arrancar o décimo terceiro dos trabalhadores e lotar a carteira de talões de crediário de muitos compradores. Mesmo com as lojas enfeitadas de vermelho e verde com uma placa de “Promoção”, o consumo movimenta o comércio e tira todos de seu sossego. Já por aqui, não foi assim.  É claro que as pessoas compram presentes, mas não de forma enlouquecida e até às vezes desesperada, tudo isso por dois motivos. Uma porque assim que passa o dia 25 de dezembro, as lojas ao abrirem já colocam na vitrine a placa “Saldos”, isso por aqui, significa que as mercadorias estão com descontos de até 70%.

Outro fator é que em muitos lugares da Europa no dia 25 de dezembro as pessoas recebem dinheiro para comprar presentes, mas que não são entregues pelo Pai Noel (como chamam o Papai Noel aqui em Portugal) e sim pelos Reis Magos ou pela Befana no dia seis de janeiro.

E vocês não imaginam o quanto essa tradição é forte por aqui. Prova disso é a lamentação dos nossos amigos espanhóis em retornar ao Porto antes do dia seis, e a alegria de outros que vão passar essa data em sua morada de origem.

O curioso é imaginar o que é uma Befana… Essa tradição é da Itália, não sabemos ao certo o que ela significa, mas ao digitar no Google aparece a imagem de uma bruxa. Segundo amigos italianos Francesco e Vernonica há uma tradição no dia seis de janeiro, mas isso não significa que no Natal eles não ganham seus presentes do Babbo Natale (Papai Noel em Italiano). A tradição da Befana é que no dia seis de janeiro ela trás aos bons ninos (crianças) uma meia cheia de doces e chocolates e para os maus ela entrega carvão.

Quanto aos saldos após o dia 25 de dezembro, estes agradam não só os moradores, mas os turistas e demais pessoas que vivem por aqui nesta época. Eu já aproveitei e fiz umas comprinhas, pois roupa aqui possui um preço muito baixo em relação ao Brasil, e quando falo em preço baixo estou me referindo a blusinhas de 2 euros, calça jeans de 8 euros, vestidos por 6 euros e calçados por 4 euros.

Absurdo? Sim!

Lojas como C&A e HeM já estão com tudo com 50% de desconto e demais lojas também. Mas isso não acontece somente no inverno, no verão também há saldos, e eles começam por volta de agosto e vai até outubro. Época em que chegam à maior demanda de intercambistas aqui no Porto. Se eu soubesse o quanto barata eram as roupas por aqui tinha trazido somente a metade de roupas que trouxe.

Por isso fica a dica de trazer somente uma mala de até 32Kg, deixe a outra para comprar aqui, nos Chineses encontra-se mala tamanho gigante por menos de 40 euros. Se você chegar ao Porto em fevereiro não traga muitas roupas de inverno, porque aqui você vai encontrar casacos impermeáveis e de lã batida por menos de 30 euros, além de tocas, gorros e luvas por volta de 5 euros. E quem chega aqui em setembro vai encontrar muitas blusas, bermudas e saias por preços, como dizem os comissários de bordo da Ryanair: Fantásticos!

Por Nay Back – Intercambista UP.

Aqui a tristeza, pula de alegria!!!

Janeiro e fevereiro são meses críticos no Porto, já que chegou o período de frio, chuvas e exames. Mas como somos brasileiros e sabemos driblar bem o pessimismo, deixamos as advérsias climáticas de lado e fomos procurar um programa diferente, já que as festas ESN e a maioria das discotecas estão de recesso devido ao período de provas.

Então, na última terça-feira chuvosa saímos com nosso melhor amigo português, João Saraiva, rumo à pista de karts de Matosinhos. Detalhe que nem o João sabia certo onde estava indo, e depois de muitas voltas, rótulas e curvas erradas, acabamos chegando ao nosso destino, Kartcenter.

Assim que chegamos fomos nos inscrever até o resto do pessoal achar o local. Enquanto esperávamos os 30 muinutos que nos separavam da corrida, aproveitamos para analisar os outros competidores e elaborar uma prenda pra os três últimos lugares da nossa corrida. Com as prendas decididas, chegou a nossa vez de colocar a touca nos cabelos, o capacete na cabeça e a almofada no kart e esperar pela largada.

O problema é que os técnicos foram dar uma olhada geral na pista e tivemos de esperar 10 minutos para começar a correr. Então aproveitamos para reunir toda a galera e registrar o momento antes da tão esperada corrida de karts.

Como as duas primeiras voltas eram de teste para conhecer o kart e a pista, e eu nunca tinha andado de kart na vida, eu fui mais devagar que o resto do pessoal, e a Nay também, só que na primeira curva ela acabou batendo nos pneus e ficou empacada um tempão.

Durante a corrida eu estava receosa e freiava mais do que acelerava, com isso acabei levando várias batidas na traseira e conquistando o último lugar.

Porém não fiquei sozinha no pódio, a Nay e a Ludi me acompanharam nas piores colocações. No sorteio das prendas que serão pagas na próxima sexta-feira, eu terei de passar a noite com um turbante na cabeça, a Nay vai ter de segurar o abacaxi e a Ludi ficou encarregada de usar o soutien por cima da roupa.

Resumindo, não podemos deixar a solidão e a chuva nos abalarem aqui na Europa, pois os dois últimos meses de nossa estadia aqui estão chegando ao fim, e temos de aproveitar ao máximo essa experiência, compartilhando os momentos com nossos amigos, tanto faz se sejam em festas, jantas, passeios, ou mesmo pagando grandes micos como usar um turbante numa balada. Temos de curtir o momento já que estamos aqui apenas de passagem.

Por Ramone Pacheco – Intercambista UP